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VIOLÊNCIA VII Maria José já esperava morte de C. O assassinato do adolescente C. era, para quem o conheceu, uma morte anunciada. Quando fez 14 anos, o filho da manicure Maria José Ferreira da Paixão, 45 anos, abandonou os estudos e descobriu a rua. Ganhou um vulgo. Virou "Cibito" para os companheiros de galera. Passou a cheirar cola, fumar maconha e terminou sendo expulso de casa pelo pai. Foi morar com a irmã e depois com uma tia. Logo começaram os primeiros roubos e dona Maria José já nem se espantava mais quando era chamada para soltar o filho na delegacia. "Eu sabia que ele assaltava, mas nunca quis dele nem um cigarro. Na minha casa não entrava produto de roubo. Fiz o que pude. Tirei das goelas para arrumar dinheiro e mandá-lo para São Paulo. Não teve jeito. Ele já estava com a cabeça virada", recorda a manicure. No dia em que C. foi assassinado, dona Maria José pensava que o filho havia sido novamente preso. "Nem fiquei preocupada porque ele não voltou para casa naquele dia. Fomos atrás dele na delegacia. Foi quando eu descobri que ele já estava no IML". C. tinha marcas de tortura pelo corpo. O rosto foi queimado com pontas de cigarro, cortes nas mãos e os braços amarrados. Tiros na testa e no pescoço. O menor, segundo contam os vizinhos, foi executado pelo dono e um segurança de um dos mercadinhos assaltados pela galera que C. fazia parte. Apesar do sofrimento, o ajuste de contas não surpreendeu a mãe do adolescente. No local onde dona Maria José mora o que não faltam são histórias de garotos pobres que, convivendo tão próximo da marginalidade e da violência, terminam sendo engolidos por elas. "Eu não sabia quando, mas já esperava que um dia isso fosse acontecer. Uma mãe sente quando perdeu seu filho para o mundo. E na rua a gente sabe que a vida desses meninos não vale nada", resigna-se. |
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