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VIOLÊNCIA VIII
Elenice perdeu o filho no Dia das Mães

Foi no Dia das Mães do ano passado que a dona de casa Maria Elenice de Souza sofreu a maior perda de sua vida. O filho, que tinha saído para comprar um biscoito na barraca perto de casa, teve o azar de encontrar no caminho uns rapazes que lhe pediram dinheiro. R., 15 anos, tinha apenas R$ 0,50 no bolso. Foi o suficiente para que ele fosse espancado com pedradas e pauladas até a morte. Quando soube, dona Elenice saiu correndo para socorrer o filho. Tarde demais. O corpo do garoto já havia sido arrastado e jogado na maré. A mãe aponta os assassinos: dois menores, um de 14 e outro de 16 anos. Os mesmos que costumavam roubar o dinheiro que R. ganhava trabalhando de office boy para um juiz. "Quando meu filho descia da kombi ou do ônibus, os marginais encostavam e tomavam o dinheiro dele. Com medo, ele não dizia nada em casa. Soube disso pelos vizinhos", recorda. Depois que o corpo do filho foi levado para o IML, a dona de casa conta que um dos assassinos bateu nas suas costas, querendo saber se ela tinha gostado do presente do Dia das Mães. "Revoltada a gente fica, mas sozinha não pode fazer nada". Trabalhando desde os 8 anos, R. sabia o que queria da vida. Ele queria ser alguém importante, com diploma e um bom emprego. Um advogado, juiz quem sabe. Interessado, tirou carteira profissional e se inscreveu na Fundac para ver se fazia algum curso. Duas semanas após o crime, uma funcionária da Fundac bate na porta de dona Elenice com a boa notícia. O adolescente tinha sido selecionado. "Ele sonhava muito alto. Dizia que, quando ganhasse mais dinheiro, ia me dar uma casa grande, com quarto para todo mundo". A dona de casa fala que, até hoje, a ferida no seu peito não cicatrizou. "O que ainda me conforta é saber que a justiça de Deus foi feita. Que esse crime não ficou totalmente impune", diz, fazendo referência aos garotos responsáveis pela morte de seu filho. Os dois também foram assassinados.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo