![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
VIOLÊNCIA IX Maioria dos homicídios fica sem solução Não bastasse o número de assassinato de menores ter atingido no ano passado a marca superior a 300 casos, os dados fornecidos pela Diretoria de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) comprovam que a grande maioria desses homicídios fica sem solução e os assassinos impunes. Primeiro: nem todos os crimes são registrados e investigados pelo DPCA. Segundo: do que foi registrado na diretoria, um total de 74 ocorrências, apenas 14 resultaram em inquéritos concluídos e encaminhados à Justiça. É um percentual inferior a 20%. Esse número, na realidade, é ainda mais baixo, considerando que alguns dos inquéritos encaminhados em 98 correspondem a crimes praticados em anos anteriores. À frente da DPCA a cerca de três meses, o delegado Djalma Raposo reconhece que muitos casos ficam sem solução, comparado a quantidade de crimes praticados no estado. Na tentativa de reverter a situação, o delegado vem intensificando o trabalho de investigações nos casos de homicídios contra menores. Ele afirma que os primeiros resultados já estão aparecendo. "Das 26 ocorrências registradas este ano, já conseguimos encaminhar 13 inquéritos à Justiça. É praticamente o mesmo número do ano passado, só que no prazo de apenas cinco meses", compara. Como já é de se esperar, a deficiência crônica de estrutura observada nas delegacias do estado também atinge a DPCA. A Divisão de Homicídios, por exemplo, tem um único carro à sua disposição e apenas por meio expediente, já que o veículo tem que ser compartilhado com a Divisão de Costumes. Mas para o delegado Djalma Raposo o maior entrave para resolução dos crimes continua sendo a falta de apoio da sociedade na hora da investigação. "Há casos em que as próprias famílias dos menores não se preocupam em ajudar a esclarecer o crime. E a polícia não tem bola de cristal", observa. Outro problema é o fato de que nem todos os homicídios são registrados na DPCA, embora ela seja a delegacia especializada para tratar do assunto. A rigor, todas as demais delegacias também podem investigar crimes contra menores. "Temos um banco de dados com os antecedentes dos menores que já passaram pela DPCA na condição de infrator e vítima. Essas informações são um diferencial na hora de investigar a vida desses garotos assassinados", explica Raposo. O problema é que para investigar, sozinha, todos os homicídios, a DPCA precisará de muito mais do que o único carro que hoje a Divisão de Homicídios possui. |
|