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CRIME
Quadrilha usa cavalos para fazer assaltos

por MOEMA LUNA

Um grupo de caubóis armados deixa os cavalos escondidos em um matagal próximo à cidade e sai para saquear moradores e comerciantes. É assim mesmo que assaltantes de Maranguape II fazem com que a população reviva hoje cenas típicas do velho oeste americano. A população anda assustada com a freqüência dessa nova modalidade de assalto, cujas vítimas prediletas são estudantes, mulheres e cobradores de ônibus. Segundo a titular da 17ª Delegacia de Polícia Metropolitana, no Janga, Beatriz Gibson, já estão sendo feitas investigações para desbaratar a quadrilha que atua há cerca de seis meses na região.

De acordo com a delegada, o que os agentes descobriram até agora é que o grupo é composto por dois homens e um menor - que atua montado na garupa de um deles -, vindos, provavelmente, da Ilha do Rato, favela situada entre os bairros de Rio Doce e Jardim Atlântico, em Olinda. "Eles já usam esse artifício porque sabem que a polícia vai recuar diante do menor", acrescentou.

Os policiais passaram a acreditar que o grupo se origina da favela depois que o comissário da delegacia, Nelson Alves Tomaz Júnior, encontrou seus cavalos, roubados há cerca de dois meses, na Ilha do Rato. Os animais estavam pintados de branco. É uma tática usada pelo grupo para que os donos não reconheçam os animais roubados: pintam o corpo e cortam o rabo dos cavalos. "Aqui tá parecendo faroeste", disse Tomaz Júnior.

Beatriz Gibson reconhece a dificuldade de competir com os assaltantes. "Maranguape é uma área rural, tem muitos descampados, córregos e becos muito estreitos", salientou. Ao ser questionada pela reportagem se não seria o caso de adquirir cavalos para a delegacia, ela respondeu que só a Secretaria de Defesa Social poderia fazer a compra dos animais para viabilizar a perseguição ao grupo.

Já o comissário afirmou que a gangue é formada por sete assaltantes, sendo que eles deixam os cavalos em um matagal próximo ao local escolhido para o assalto. Alguns usam bicicletas, seguem a pé e depois apanham os animais, se embrenhando nos matos.

Os moradores do bairro denunciam que o lugar mais visado é o terminal de ônibus de Maranguape II, no horário de 12h às 13h e de 18h às 20h, porque entre o posto fiscal dos ônibus e o Bar do Nelson há um beco que termina na Mata do Engenho Maranguape, caminho da fuga. A comunidade reclama da dificuldade em acionar a polícia, o único orelhão da área está quebrado há três meses.

NA MIRA DO GALOPE - Cansados de serem vítimas constantes dos assaltos, cobradores, motoristas e fiscais chegaram até a transferir o terminal de ônibus do bairro, à revelia da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). Durante dois dias os coletivos passaram a ter o ponto final em frente à associação de moradores e somente retornaram ao local de origem, na Rua 81, na quarta-feira passada, depois que uma viatura da Polícia Militar passou a vigiar a área. "Ontem eles iam agir (quarta-feira). Estavam montados em quatro cavalos. Passaram na frente dos PMs, mas viram os policiais e foram embora", relatou o motorista Edvaldo José Cavalcanti, 33 anos.

Cada morador de Maranguape II tem uma história para contar em relação à atuação do grupo. No Bar do Nelson, os caubóis levaram todos os ingredientes para garantir a farra do bando: 14 pacotes de cigarro, um litro de uísque, uma caixa de pastilha e um pacote de pilha. Nelson Bonfim, dono do estabelecimento, disse que ficou com tanto medo do bando que procurou não olhar muito para o rosto dos assaltantes, temendo represália.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo