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ARQUEOLOGIA II
Múmias de dois mil anos foram achadas no Agreste

A região onde hoje se encontra o município de Brejo da Madre de Deus, a 219 quilômetros do Recife, foi habitada por uma população, provavelmente indígena, que apresentava rituais religiosos curiosos: os mortos eram embrulhados em esteiras e enterrados em posição fetal. A maioria dos corpos, com cerca de 2 mil anos, conservaram ao longo do tempo fragmentos da pele, cabelos e pedaço do cérebro. Três crânios dessas múmias estão expostos no Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

"Os corpos foram resgatados no Sítio Furna do Estrago. Das mais de 80 múmias achadas, 74 encontravam-se em perfeitas condições de estudo e 38% tinham sido enterradas com seus adornos, a maioria colares, conta a arqueóloga e antropóloga Jeannette Dias, do Laboratório de Arqueologia da Unicap.

Segundo ela, os corpos sofreram um processo de mumificação natural. "Os sítios arqueológicos em regiões de clima semi-árido brasileiro proporcionam esse tipo de achado". Nas furnas onde foram encontrados, não havia penetração de água e o local estava cheio de cinzas, provavelmente decorrentes de fogueiras.

Analisando as múmias, os pesquisadores identificaram que alguns indivíduos possuíam uma vértebra a mais no sacro (osso na parte posterior da bacia) e que sofriam de artrose, "possivelmente em decorrência do estilo de vida, que os obrigava a caminhar com cargas pesadas nas costas", explica Jeannette.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo