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ANIVERSÁRIO II Termômetro garante luz acesa Uma das contribuições tecnológicas mais importantes da produção científica local nos últimos dez anos, quando o estado assumiu a liderança científica no Nordeste, é um termômetro ótico desenvolvido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O equipamento é capaz de controlar a temperatura dos transformadores de energia, evitando quedas na rede de transmissão de eletricidade, e está em fase de testes no Departamento de Física da UFPE. Outra aplicação do aparelho é no controle de incêndios. Ele pode ser acoplado às redes que passam por cima dos canaviais, avisando às centrais de transmissão a ocorrência do fogo durante o período de colheita da cana-de-açúcar. Por enquanto, o termômetro está montado em uma mesa, no Laboratório de Fotônica e Optoeletrônica do Departamento de Física, mas daqui a quatro meses terá sua engenharia concluída. Miniaturizado, ele será uma caixa com cerca de 20 centímetros de largura por dez de altura e quinze de profundidade. A conclusão do protótipo será feita na Fundação Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep), de onde o produto poderá seguir para o mercado.
A idéia de criar o termômetro ótico surgiu a partir de um problema comum às companhias de eletricidade, conta um dos idealizadores, o físico Cid Araújo. Trabalhando em sobrecarga, o que aumenta a temperatura e os riscos de danificar o sistema de transmissão de energia, elas precisam medir constantemente a temperatura. O pesquisador explica que os transformadores operam em sobrecarga para reduzir os custos. "Mas, fazendo isso, eles trabalham com correntes e temperaturas mais altas, o que oferece riscos de curto-circuito", explica. Normalmente, a medição da temperatura é feita em amostras de óleo coletadas manualmente do transformador, mas isso não abrange todas as regiões do equipamento. Com o termômetro ótico, garante, pode-se obter a temperatura de todo o sistema. A fibra óptica é colocada dentro do equipamento, junto com a fiação elétrica. Um feixe de luz laser é então emitido pelo lado de fora. "Estudando como é que a fibra absorve a luz e fluoresce, é possível conhecer a temperatura", diz o professor. Este não é o primeiro termômetro de fibra ótica desenvolvido no mundo, mas é o único que garante a confiabilidade da leitura da temperatura. De acordo com o pesquisador, nos termômetros óticos convencionais, disponíveis no mercado há cerca de cinco anos, o laser sofre uma espécie de desgaste que interfere nos resultados da leitura.
O termômetro de fibra ótica desenvolvido na UFPE é "dopado" (enriquecido) com érbio. O elemento confere segurança aos resultados, mesmo depois do desgaste do laser. "Enquanto ele estiver emitindo luz, o valor da temperatura será correto", garante. Apesar da importância do termômetro, Cid Araújo decidiu não patentear o invento. Publicou apenas os resultados em uma revista científica internacional, em 1995. Ele alega que as alterações em relação aos outros termômetros são pequenas. "Variam apenas o material que usamos e a forma de excitar a fluorescência", justifica. De acordo com ele, não existe nenhuma indústria no Brasil fabricando termômetros óticos, "mas isso não impede que o país detenha a tecnologia". Ele considera pequenas as chances de o termômetro ser utilizado nos transformadores porque geralmente as empresas estatais, a exemplo da Eletrobras, adquirem o pacote completo (transformador com termômetro) no exterior. "No Brasil ainda não se negocia contratos exigindo que determinado componente do sistema seja de uma empresa nacional. Para que isso aconteça, é preciso que haja uma mudança na postura político-administrativa", diz. A fibra ótica, o material utilizado no termômetro, é um pequeno fio transparente que tem o diâmetro quase dez vezes menor que um fio de cabelo. Contando com o capeamento, ela fica um pouco mais espessa. O desenvolvimento do termômetro, cujo projeto está orçado em R$ 100 mil, é financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Até agora foi liberado apenas um terço dos recursos previstos. "O professor Anderson Gomes, que coordena os testes do termômetro, lembra que este é o segundo produto tecnológico de fibra ótica do departamento. O primeiro, um amplificador, está sendo desenvolvido na SRT Eletrônica, empresa de engenharia pernambucana. O equipamento, usado em sistemas de telecomunicações, permite a amplificação do sinal ótico em redes de transmissão de dados e está pronto para a comercialização. |
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