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ANIVERSÁRIO IV
A década da química e da informática

Nos últimos dez anos, as áreas da ciência que mais se desenvolveram em Pernambuco foram a química e a informática. Em 1989, foi criada o Programa de Pós-graduação em Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com 14 teses de doutorado defendidas até agora, a primeira delas em 1996. Os dois departamentos estão no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN), considerado o núcleo de excelência da UFPE.

O professor do Departamento de Química Fundamental Ricardo Ferreira, que liderou a criação do mestrado e doutorado, acredita que o crescimento dessa área no estado teve como principal contribuição a formação de recursos humanos. "O programa oferece oportunidade de formação aprofundada em matemática, física e computação", justifica.

As ciências da computação também têm desempenhado papel importante na formação de profissionais qualificados para o mercado. Para o diretor do CCEN, Cid Araújo, no entanto, a expansão das atividades do Departamento de Informática para a sociedade é o que mais merece destaque. "As incubadoras de empresas e a prestação de serviços por meio da organização não-governamental Cesar (Centro de Estudos em Sistemas Avançados do Recife), que tem grandes contas, como a do Ministério da Ciência e Tecnologia e a do Bompreço, são exemplares", diz Araújo.

De acordo com o professor, o Departamento de Informática é o que tem o maior número de estudantes de pós-graduação no CCEN. "Isso porque existe uma demanda de mercado muito grande", explica. O mesmo não acontece com o de física, que tem uma pós-graduação conceituada em nível nacional, mas conta com um mercado restrito. "Na física, forma-se gente para as universidades e para um pequeno número de laboratórios de estatais ou empresas multinacionais", avalia.

Cid Araújo lembra ainda o crescimento da estatística, que também está no CCEN. "Há dez anos só havia um professor com doutorado no Departamento de Estatística. Hoje são mais de dez", justifica. Segundo ele, os programas de pós-graduação em física e em química da UFPE atingiram nota 6 na avaliação da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/Ministério da Educação), que varia de 1 até 7 e é realizada a cada dois anos. Informática, que tem mestrado e doutorado, ficou com a nota 5. Estatística também recebeu a nota 5, que é a máxima para os departamentos que só contam com o mestrado.

No Departamento de Física, Cid Araújo destaca o crescimento da área experimental. "Até o final da década de 80, tínhamos mais físicos teóricos que experimentais. Hoje a proporção é de dois experimentais para um teórico". O professor cita que em geral nos países desenvolvidos se investe mais em física experimental. "É ela que tem a ver diretamente com a natureza, levando à descoberta de novos efeitos e o desenvolvimento de novas tecnologias.

De acordo com ele, a demora em alcançar uma maior proporção de experimentais está relacionada à falta de recursos. "Para formar físicos experimentais é preciso muito investimento em laboratório", explica.

TENDÊNCIAS - Na opinião de Cid Araújo, a ciência das próximas décadas será a biologia molecular. Ele também cita a multidisciplinaridade como uma tendência. "A mecânica quântica tem aplicações na biologia molecular", exemplifica. Araújo informa que o grupo de ótica do Departamento de Física tem se dedicado ao estudo de propriedades de materiais biológicos.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo