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ANIVERSÁRIO VI
Mata cede espaço ao crescimento urbano

Três das 40 reservas ecológicas de Pernambuco praticamente desapareceram nos últimos dez anos. As denúncias veiculadas nesse período pelo Jornal do Commercio não conseguiram impedir que as matas de Passarinho, em Olinda; de São Bento, em Abreu e Lima; e a de Caraúna, em Moreno, ficassem reduzidas a pequenas manchas de floresta, com menos de 10% da cobertura original. No lugar da Mata Atlântica, ocupações de trabalhadores rurais e loteamentos urbanos tomaram conta da paisagem dessas áreas.

Em Passarinho, o último remanescente de Mata Atlântica de Olinda, a especulação imobiliária destruiu 13 hectares de floresta. Esta era a menor de todas as reservas e pertencia a um único proprietário. Na opinião de técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ele foi conivente com a destruição. "Depois de permitir as invasões, favorecendo a derrubada da mata, ele entrava na Justiça para reaver a área", conta o chefe da Fiscalização do Ibama em Pernambuco, Emanuel Dantas. Hoje, a maior parte da reserva foi desapropriada pela Prefeitura de Olinda, que ainda está definindo como vai recuperar a área.

Na Mata de São Bento, em Abreu e Lima, o desaparecimento da floresta aconteceu de forma semelhante. Com 109,60 hectares, a reserva foi invadida por trabalhadores rurais sem-terra. A ocupação, coordenada pela Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape), foi realizada na mata, há mais de dez anos. A Fetape, entretanto, garante que os sem-terra sempre são orientados a preservar a floresta.

A questão fundiária é reconhecida como a principal causa do desmatamento pela própria Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH). As unidades de conservação foram criadas por lei estadual, em 1987, mas muitos dos proprietários sequer receberam uma notificação dizendo que suas terras passaram a ser protegidas, informa a gerente de Áreas Protegidas da CPRH, Giannina Cysneiros.

"Para a implantação de uma reserva, é preciso haver desapropriações, em alguns casos, ou um esclarecimento ao proprietário sobre as capacidades de exploração da área", opina Giannina. Para ela, o ecoturismo como forma de educação ambiental é uma das atividades permitidas nas reservas ecológicas que podem gerar renda para o proprietário.

Giannina afirma que a Mata de São Bento pertence a cinco proprietários, que nunca foram oficialmente avisados da criação da reserva. Localizada às margens da BR-101 Norte, São Bento era composta por três morros cobertos de mata. Na avaliação do biólogo da Universidade Federal de Pernambuco Ricardo Braga, conselheiro da Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE), hoje restam menos de 10% da floresta. Em vez de mata, a área está coberta por plantações de macaxeira e banana.

Todas as reservas estaduais estão localizadas na Região Metropolitana do Recife (RMR). Apenas duas delas foram implantadas - a de Caetés e a de Dois Irmãos. A primeira foi transformada em estação e a segunda, em parque. O objetivo da criação das reservas, informa a arquiteta, é conservar a biodiversidade e os recursos naturais. "Mas hoje estamos procurando conscientizar as pessoas de que as florestas são fundamentais para a manutenção dos sistemas hídricos", diz.

Para ela, esse argumento é mais forte que a proteção da fauna e flora. "Diante da situação atual, com o racionamento d'água em toda a RMR, e levando-se em conta que ainda não há uma consciência ambiental no estado, é mais fácil apelar para o que interfere diretamente na vida das pessoas", justifica.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo