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ANIVERSÁRIO VII
Ambientalistas deixam grito de lado

O movimento ambientalista em Pernambuco, iniciado em 1979 com a criação da Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan), terá que se profissionalizar para continuar atuante na próxima década. Na opinião do biólogo Ricardo Braga, conselheiro da Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE), essa tendência inclui o embasamento técnico das denúncias.

"A remuneração das pessoas que se dedicam a organizações não-governamentais (ONGs) também é uma necessidade", afirma Braga, professor da UFPE. Ele cita entidades como a Fundo Mundial para a Natureza (WWF), com sua sede nacional em Brasília; a Biodiversitas, de Minas Gerais; e o SOS Mata Atlântica, em São Paulo, como exemplos. O biólogo acredita que as maiores serão as de mais pragmatismo e de grande capacidade técnica.

Para o ambientalista, as pequenas entidades devem ser estimuladas a continuarem em atividade, "para o movimento não perder sua capacidade de denunciar". Braga acredita que a informalidade permite que se "grite" mais. Ele considera que em Pernambuco falta integração entre as ONGs, o que diminui a capacidade de pressão junto ao poder público e ao setor empresarial.

Braga está adotando na prática seus prognósticos. Ele informa que a SNE, fundada em 1986 e com abrangência do Maranhão à Bahia, está implantando um Núcleo de Controle Ambiental. O núcleo encaminhará as denúncias que chegam à entidade relativas a Pernambuco para a Companhia Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério Público. "Haverá um formulário padrão, acompanhado de um dossiê técnico".

MUDANÇA - De acordo com levantamento concluído pela Aspan em janeiro do ano passado, a mobilização não é mais uma característica do movimento ambientalista. Depois de aplicar questionários entre dez das 20 entidades existentes hoje em Pernambuco, a Aspan concluiu que ir para as ruas levantar a bandeira verde não reúne mais multidões e tão pouco chama atenção. "Concordo que a tendência de se analisar e encaminhar tecnicamente as questões é uma tendência, mas cobrar por isso não deve ser uma prática", diz o coordenador executivo da Aspan, Alexandre Araújo.

A SNE recebe denúncias pelo telefone (081) 231.5242 e pelo e-mail sne netpe.com.br e a Aspan, pelo (081) 222.2038 e aspan@aspan.org.br .

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo