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ANIVERSÁRIO VIII
Comunidade venceu luta em defesa de Caetés

Se a destruição da Mata Atlântica predomina na paisagem das reservas ecológicas do estado, em Caetés a situação é diferente. A reserva, uma das três localizadas no município de Paulista, é a única desapropriada pelo governo. A área, com 157 hectares, seria transformada em um aterro sanitário, mas a partir de uma reivindicação da comunidade passou a ser uma unidade de conservação.

O lixão já estava sendo implantado quando a obra foi embargada pela Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH), em 1985, depois da mobilização dos moradores do entorno e da Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan). Até hoje a reserva guarda marcas do Aterro Sanitário de Timbó. As áreas desmatadas formaram clareiras, que aos poucos são naturalmente recompostas com espécies de Mata Atlântica.

A coordenadora da estação ecológica, Sandra Cavalcanti, acredita que a área só escapou da destruição por causa do envolvimento da comunidade. "Hoje, mais de mil pessoas que moram no entorno utilizam a área para lazer", justifica.

A estação foi implantada por lei em 1991, quando teoricamente deveria ter sido dotada de infra-estrutura física e orçamentária para começar a funcionar. No ano passado, teve seu plano de manejo concluído. O plano, que define os usos da reserva de acordo com a legislação em vigor, dividiu a área em cinco zonas.

Na zona de uso intensivo da estação ecológica, perto da administração, há campos de futebol, pistas de atletismo e quadras poliesportivas, além de uma sala para palestras utilizada pelos moradores das redondezas, principalmente de Caetés I.

Os temas não são apenas relacionados ao meio ambiente. "Sempre chamamos os pesquisadores para apresentar os resultados dos levantamentos realizados aqui, mas também há palestras sobre cidadania e saúde", conta Sandra.

A zona primitiva, que corresponde a 80% da área, é exclusiva para a realização de pesquisas. A zona de recuperação, onde começou a ser implantado o lixão, é destinada à recomposição da floresta. A de uso extensivo é reservada para a realização de atividades de educação ambiental e ecoturismo. O lazer e esporte são praticados na zona de uso intensivo e a de uso especial é destinada à administração e alojamentos.

VISITAS - A estação é contornada pelo Rio Paratibe e protege uma das nascentes do Timbó, que deságua no litoral Norte. Visitas à Estação Ecológica de Caetés podem ser marcadas pelo telefone (081) 542.2204.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo