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ANIVERSÁRIO XII
A década não-perdida

por ANTÔNIO PORTELA

A publicação contínua, ao longo de dez anos, de uma página dedicada a notícias sobre ciência, tecnologia e meio ambiente, sob todos os aspectos pode ser considerada uma experiência bem-sucedida.

Quando, em 1989, a chefia de redação do Jornal do Commercio decidiu inovar, reservando espaço diário a esses temas e montando uma editoria (chamada de Ciência/Meio Ambiente, ou CMA) voltada exclusivamente a eles, não tardou a voz dos que preferiam fossem aquelas páginas utilizadas na publicação de "assuntos mais importantes".

Tratava-se de uma referência feita, sobretudo, ao debate ecológico, então visto por muitos como só mais um modismo. À época, no país, apenas despertavam os formadores de opinião para o que a ciência mundial há décadas denunciava como a aproximação de uma catástrofe ambiental. Também sobre o tema ciência e tecnologia uns entendiam que, embora mais "concreto", poderia merecer talvez uma coluna semanal. A redação, contudo, manteve de pé sua aposta. Enxergava muito à frente, e o golpe de vista não falhou. Hoje, dez anos passados, traz ótimo saldo o balanço desse período em que a editoria se solidificou .

Do ponto de vista estritamente jornalístico, o pioneirismo do JC provou que era possível manter um noticiário diário sobre ciência e meio ambiente e angariar um público leitor interessado e fiel. Também o exercício diário do jornalismo científico motivou inúmeros profissionais e atraiu estudantes de comunicação (que puderam estagiar na editoria) para esse novo ramo especializado da comunicação.

Para o próprio jornal, como empresa e instituição, o investimento rendeu excelentes dividendos. O reconhecimento da comunidade científica e ambiental local foi imediato, logo se tornando "a página de CMA" ponto de referência dos que lidam nessas áreas. Mais do que isso, CMA ajudou a fazer o nome do Jornal do Commercio - e, por extensão, de Pernambuco - ainda mais forte em todo o país.

Não bastassem, para o ganho desse respeito nacional, a cobertura dos grandes eventos científicos e ambientais e a participação ativa de jornalistas da editoria em encontros e seminários fora do estado, em 1997 um fato inédito veio recompensar a coragem da aposta feita naquele já distante junho de 1989: o jornal, pelo conjunto da obra de sua editoria de CMA, conquistou o Prêmio José Reis de Divulgação Científica, o mais importante da categoria no Brasil.

A experiência de CMA foi bem-sucedida, por fim, sob o aspecto mais significativo para um jornal, como meio de comunicação de massa: poder oferecer a seus leitores boa e útil informação. A editoria divulgou sistematicamente o conhecimento científico, em particular a pouco noticiada produção científica pernambucana, despertando o leitor para esse lado cada dia mais essencial num mundo essencialmente tecnológico. Igualmente ajudou a criar na população uma indispensável consciência ecológica, denunciando a degradação do nosso mundo em volta e apontando caminhos para evitá-la.

Valeu, bem se vê, o descortino da redação ao jogar na editoria de CMA, como bons frutos rendeu o prestígio conferido à página pela direção da empresa ao longo destes dez primeiros anos. Mais uma vez o Jornal do Commercio cumpriu, com competência, seu importante e octogenário papel.

O jornalista Antônio Portela foi o primeiro editor de Ciência/Meio Ambiente.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo