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ANIVERSÁRIO XIII Meios ambientes por RICARDO SOAVINSKI Nos últimos anos, a questão ambiental ganhou destaque na mídia. Jornais, revistas, canais de televisão e emissoras de rádio abriram espaço para dizer, em essência, que do meio ambiente depende o futuro. Poucos o fizeram de maneira tão criteriosa e séria como o Jornal do Commercio. Por isso, é com satisfação que recebo a notícia de que a Editoria de Ciência/Meio Ambiente está comemorando dez anos. Sinto orgulho de ter participado como colaborador quando a editoria dava seus primeiros passos. Estava em Itamaracá trabalhando no Projeto Peixe-Boi e, assim, pude ver muitas de nossas ações serem divulgadas pelo jornal. Os meios de comunicação de massa cumprem papéis importantes na sociedade contemporânea. Muito mais do que simplesmente informar, eles redimensionam a realidade. Com o passar do tempo, os ambientalistas vão descobrindo como lidar com a mídia. E os meios, ao mesmo tempo, vão aprendendo a tratar do meio ambiente. Os jornalistas passaram a compreender, particularmente a partir da Rio-92, que meio ambiente é tema nobre. As redações fizeram, se me permitem a comparação, seu próprio reflorestamento. Abriu-se espaço para que natureza deixasse de ser somente a foto de alguém plantando árvore, uma vez por ano. Não que isso não seja importante. É. Mas não é suficiente. Nem sempre, é verdade, ficamos satisfeitos com o que lemos nas páginas ou com o que vemos nas telas. Reclamamos que a questão é tratada de forma superficial e, normalmente, por pessoas que não entendem do assunto. Pura e passageira implicância. Precisamos da mídia. E precisamos também conhecer, menos superficialmente, seus defeitos e virtudes. O amadurecimento dessa relação, que já começa a se refletir nas notícias diárias e cada vez mais numerosas sobre meio ambiente, vai incentivar a população a participar de ações concretas relacionadas à natureza. Se o meio ambiente é pauta de destaque, gera, por exemplo, interesse e respostas efetivas dos órgãos governamentais. Os meios de comunicação chegam a todos os cantos do país e são os principais formadores da chamada opinião pública. Parece, portanto, não haver melhor caminho para chamar a atenção da sociedade brasileira sobre a necessidade de conservação da natureza. Trata-se, portanto, de tornar visíveis as ações, tanto as positivas como as negativas. Contudo, ao contrário de características próprias à mídia - rapidez e efemeridade -, o trabalho em prol do meio ambiente é lento, vagaroso. Não se muda uma cultura de uma hora para outra. Nesse sentido, programas de televisão e rádio, colunas e editorias sobre o tema precisam continuar a existir. Páginas como Ciência/Meio Ambiente do JC, que nem passou pela adolescência e já se tornou grande, são um bom exemplo. O oceanógrafo Ricardo Soavinski é assessor especial do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. |
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