![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Tubarão Brena Luiza Pereira, 15 anos, estudante, residente em Mangueira, Recife, pergunta: Como acontece a reprodução dos tubarões e por que eles aparecem na praia? O professor Fábio Hazin, coordenador do Laboratório de Oceanografia Pesqueira da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), responde: O aparelho reprodutor dos machos de tubarão é formado, basicamente, por um par de testículos, onde os espermatozóides são formados, pelos epidídimos, ampolas do duto deferente e um par de pterigopódios, que são os órgãos copulatórios. As fêmeas possuem dois ovários, embora em muitas espécies apenas um seja funcional, duas glândulas oviducais, onde ocorre a fecundação do óvulo e a fabricação da casca do ovo, e dois úteros, onde acontece o desenvolvimento dos embriões. Os tubarões podem ser ovíparos ou vivíparos. Nas espécies ovíparas, as fêmeas depositam os ovos, que possuem adaptações para facilitar a sua fixação no substrato marinho, como longos filamentos em alguns casos ou forma helicoidal em outros. Nessas espécies, portanto, o desenvolvimento dos embriões ocorre fora da mãe. Nas espécies vivíparas, ao contrário, o desenvolvimento ocorre dentro do útero materno, podendo o embrião tanto se alimentar exclusivamente do vitelo do ovo como estabelecer uma conexão placentária, por meio de um cordão umbilical através do qual o embrião recebe os nutrientes de que necessita para o seu desenvolvimento diretamente da mãe. Há outras formas de desenvolvimento, como a oofagia, em que o embrião alimenta-se dos ovos continuamente produzidos pelo ovário materno. O período de gestação varia com a espécie, podendo alcançar até 24 meses. O número de filhotes também varia, podendo ir desde dois (um em cada útero) até mais de uma centena. Algumas poucas espécies, como o tubarão cabeça-chata (Carcharhinus leucas) podem viver tanto no mar como em água doce, sendo comum a sua ocorrência no Rio Amazonas, por exemplo. Esta espécie, assim como várias outras, possui o hábito de parir os filhotes em regiões estuarinas, em áreas de manguezal particularmente, pois estes ecossistemas além de serem bastante ricos, oferecendo uma abundante oferta de alimento para os filhotes, também permitem que os mesmos se protejam dos adultos de forma mais eficiente, evitando o canibalismo. A causa mais provável para o surto de ataques verificado nas praias da Região Metropolitana de Recife, a partir de 1992, foi a construção do Porto de Suape, em decorrência principalmente do impacto ecológico resultante, associado ao aumento no tráfego marítimo, uma vez que os tubarões de maior porte costumam ser atraídos por grandes embarcações. Como fêmeas de tubarão cabeça-chata costumam ingressar nos estuários no período de parto, é provável que, em decorrência das alterações ambientais ocorridas na área do estuário de Suape, um número maior de fêmeas tenha passado a se deslocar para o estuário mais próximo, localizado ao norte: o do Rio Jaboatão, cuja área de influência estende-se desde a Praia do Paiva até o Pina, exatamente onde ocorreram todos os ataques registrados até o momento. O fato das correntes marinhas predominantes possuírem sentido Suape --> Recife, associado à existência de um canal profundo próximo a essas praias, facilitando a aproximação de tubarões de maior porte, são fatores que favorecem a ocorrência dos ataques. |
|