![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
REFORMA Porto de Suape investe em cuidados ambientais de olho no futuro por ANGELA FERNANDA BELFORT Porto de Suape está fazendo as pazes com o meio ambiente. A estatal já contratou serviços que demandarão um investimento de R$ 2,4 milhões em seis ações nesta área, que contemplam a implantação de corredores ecológicos (que interligarão as matas já existentes), arborização dos terrenos industriais e plantio de um bosque energético (hoje com 40 mil árvores). A preocupação ecológica tem uma motivação financeira. Suape está realizando um Eia-Rima (Estudo de Impacto Ambiental) sobre as ampliações da zona industrial portuária e do porto interno, para se habilitar a conseguir investimentos e financiamentos junto a entidades internacionais. Essas são exigências de órgãos como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Qualquer empresa se sentirá mais segura para conseguir seu licenciamento se já existe um estudo de impacto ambiental da área em que pretende se instalar", disse o advogado, Ivon Pires Filho, consultor da Pires Advogados & Consultores, empresa contratada para fazer o Eia-Rima de Suape. O relatório final do estudo deve ficar pronto dentro de sete meses e incluirá pelo menos 20 Projetos Básicos de Ambiente (PBAs), propondo ações para reverter danos já causados à natureza. "Estamos adequando o porto para uma preocupação que já existe no mundo civilizado de não agredir o meio ambiente", disse o diretor-presidente de Suape, Sérgio Kano. Das seis ações ecológicas que estão sendo realizadas pela estatal, duas foram iniciadas este ano e o restante, no ano passado. Com exceção do Eia-Rima, que está sendo realizado com recursos do Programa Brasil em Ação (do Governo Federal), todas as outras ações são bancadas com recursos de Suape. COMPENSAÇÕES - Várias dessas ações foram sugeridas pela avaliação de impacto ambiental concluída em 93. Além das medidas compensatórias e corretivas, o Porto de Suape tem um novo projeto para as empresas que vierem a se instalar no Complexo Industrial. "Queremos que cada empresa adote uma parte da reserva de mata atlântica ou dos manguezais", explicou Sérgio Kano. O porto tem uma área total de 13,5 mil hectares, dos quais 6 mil hectares são de mata atlântica replantada. O Porto de Suape foi projetado no final da década de 70 e teve a sua construção iniciada em 1980. Para isso, foram retirados 300 metros de arrecifes naturais e a aterrados 21,5 hectares de manguezal. A abertura dos arrecifes fez com que a água salgada entrasse no estuário do Rio Ipojuca. "Isso provocou, naquela área, uma diminuição de 70% da quantidade de microalgas", constatou a professora Maria Luise Koening, que estudou o estuário do Rio Ipojuca. As microalgas são importantes porque são a base da cadeia alimentar aquática. As alterações ambientais causadas com a construção do porto podem ser a causa para o surto de ataques de tubarão verificados nas praias da Região Metropolitana do Recife a partir de 92, segundo o professor Fábio Hazin, coordenador do Laboratório de Oceanografia Pesqueira da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Hazin afirma que "as alterações ecológicas associada ao aumento do tráfego marítimo podem ter contribuído para isso, porque os tubarões de grande porte costumam ser atraídos por grandes embarcações". O pesquisador acredita que as mudanças ambientais na região podem ter provocado a migração de animais da região do estuário do Rio Ipojuca para o do Rio Jaboatão, mais ao norte. |
|