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PERNAMBUCO FORTE
Avicultura dribla crise e já emprega 125

por PEDRO MARINS

Apesar das dificuldades econômicas por que passa o país, em Pernambuco o setor avícola esbanja vitalidade, poder de recuperação diante da crise e acumula resultados positivos. Mesmo após o choque cambial de janeiro, que elevou os custos dos insumos como o milho para ração, importado da Argentina, a produção de frango de corte nos primeiros cinco meses deste ano cresceu 34%. Em relação à oferta de ovos houve aumento de 8%. A criação de frangos para abate e galinhas de postura está presente do litoral ao sertão, produz o ano inteiro em quase três mil granjas e emprega 125 mil pessoas. Para completar, o setor se consolida como alternativa rentável para a recuperação da Zona da Mata, após a decadência da agroindústria canavieira.

A produção de frangos de corte, que responde por 60% do setor, cresceu no ano passado (em comparação com 97) 12,66%. Como o aumento da produção de ovos foi de 6,08%, a média positiva do setor avícola ficou em 9,37%. Com isso, supera com folga os outros três únicos segmentos que também tiveram crescimento no ano passado: consumo de cimento (7,15%), de energia elétrica (5,4%) e a receita líquida estadual (6%).

O faturamento do setor avícola estadual cresceu nada menos que 23%, de 97 para 98, passando de R$ 330 milhões para R$ 405 milhões. No período, a comercialização de frangos para abate aumentou de 99.942 mil aves para 112.595 mil. A produção da carne de frango foi elevada em 13%, de 181.627 mil toneladas para 205.381 mil toneladas na mesma época. Mesmo com a crescente preocupação de investimentos em equipamentos de automação nos galpões e frigoríficos, o setor acrescentou em 12 meses mais 11 mil empregos gerados na cadeia produtiva. Passou de 110 mil ocupações para 121 mil, mais 10%.

EXPECTATIVA - Mesmo com o freio do consumo provocado pela manutenção de altas taxas de juros e a não recomposição do poder de compra dos trabalhadores, a venda de frango deve se manter em alta este ano. A expectativa da Associação dos Avicultores de Pernambuco (Avipe) é de um crescimento de 14%.

Para o orçamento familiar, outra grande vantagem. O preço médio do frango que sai dos frigoríficos está abaixo do que era praticado no ano passado. Atualmente o quilo do produto congelado custa em média R$ 1,18, sete centavos a menos do que em 98. O frango resfriado que custava R$ 1,50 o quilo, está saindo por R$ 1,35. "A avicultura tem destes milagres. Mesmo com a crise cambial que aumentou os custos da produção, não podemos repassar a diferença porque o poder de compra da população não aumentou", afirma Marcondes Tavares de Farias, diretor da Mauricéa Alimentos.

O sucesso do frango não tem segredos: boa aceitação por parte da população e preço baixo. Com a estabilização da economia, mesmo que em bases fragéis, houve aumento dos investimentos no setor e o preço do produto ficou acessível aos pobres e passou a ser mais consumido pela classe média. E como alternativa mais saudável, pelo baixo teor de gordura, a elite incluiu o frango no seu cardápio. Resultado: mesmo com toda a crise financeira do ano passado e cambial este ano, que levaram a manutenção de altas taxas de juros para conter o consumo, o setor avícola se manteve em alta.

A expectativa dos avicultores para este ano é de aumentar em 14% a produção de frangos de corte e pelo menos em 8% a oferta de ovos. Para tentar conseguir estes resultados, os produtores estão se mobilizando na tentativa de superar os entraves que atrapalham o setor, como a concorrência desleal com distribuidoras que sonegam impostos e a dependência dos produtos importados.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo