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INVERNO
Deixa chover

por ANDREZA VASCONCELOS

Depois de muito resistir, parece que enfim a estação das chuvas acabou chegando ao Estado. Bom para as barragens, que estavam à míngua, bom para a agricultura e bom para a pecuária, que estava vendo morrer de sede o seu gado. Contudo, alguns praticantes de esportes ficam um pouco prejudicados com o mau tempo e precisam até cancelar treinos e jogos por falta de locais adequados para os exercícios. Pensando nisso, está se formando na cidade uma facção de desportistas que não param no inverno e acharam lugares próprios para a estação chuvosa.

Não é nada fácil. Tirando as modalidades tradicionalmente disputadas nas quadras fechadas, as regiões que não são brindadas com a neve, durante o inverno, não têm muitas opções para os esportistas de plantão. Mesmo assim, academias e centros esportivos da cidade estão se armando para abocanhar esse filão que cresce com a chegada das chuvas. "Nós tivemos um aumento de cerca de 40% na procura das quadras cobertas de tênis, do fim do verão para cá", afirmou Cristiano José, do Squash Tênis Center. "Basta o tempo fechar para as reservas triplicarem", observou.

Os números revelam que é um bom negócio apostar nas chuvas. Cada hora nas quadras cobertas são R$ 10,00, mais cara do que nas descobertas. "E ninguém vai se arriscar a jogar na chuva com a gripe Tiazinha à solta por aí", disse Bruno Carvalho, usuário das quadras. Quem concorda com Bruno é Carolina Cosentino. Ela joga tênis há um ano e não interrompeu o treinamento com a chegada do tempo chuvoso. "Com a quadra coberta não preciso me preocupar com a chuva lá fora. Mesmo gripada, como estou, posso vir", explicou a atleta.

NA CONTRAMÃO - Ao contrário da maioria dos jovens, Sandra Antunes e Luciana Monteiro, não esperaram o verão para entrar em forma. Decidiram fazer do inverno a estação da queima das calorias. Ainda contrariando a maioria, as duas amigas não invadiram uma academia qualquer. Decidiram entrar de cabeça na onda do Squash para unir o esporte à boa forma. "Aqui dentro não dá para saber se chove ou faz sol lá fora. É tudo a mesma coisa. O que interessa é que dá para jogar e pronto", afirmou Luciana. "Quando chegar o verão, já vamos estar em forma. Diferentemente de todo mundo, que pára e engorda no inverno", comentou Sandra.

VELHO E NOVO - Para quem resiste às novidades, sempre haverá as velhas opções. É o caso do tênis de mesa, o popular pingue-pongue, ou boliche. Embora pareçam amadores, são esportes de prática fácil. "O pingue-pongue é o esporte que reúne a família e os amigos quando vamos para Gravatá", disse o estudante Paulo Sérgio Resende. Na hora de escolher onde ficaria a mesa de tênis de mesa que o pai comprou, ele e a irmã, Rafaela, foram pragmáticos. "O pingue-pongue passou a ser é a diversão e o aquecimento das férias", explicou Rafaela. Depois disso, já existe até um campeonato que reúne os vizinhos da chácara.

O boliche também é uma boa opção para um dia chuvoso. O Recife tem duas casas, instaladas em shoppings, que já promovem até campeonatos pernambucanos. "No inverno há um aumento de 25% no movimento. Depois, quando as chuvas passam, o pessoal já se acostumou e continua vindo", afirmou Rui David, gerente da Brasibal Boliche. "Comecei a vir por falta do que fazer nestes dias, agora venho pelo menos, duas vezes por semana", contou o praticante, Paulo Brol.

Portanto, o tempo pode até fechar, mas isso não é desculpa para ficar em casa. Até pode ser, desde que você tenha em casa uma mesa de sinuca, de pingue-pongue ou barrinhas de futebol...

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo