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Bancos sem grilo Circular do Banco Central, datada de 27 de maio, estabelece o limite de 30 de setembro para que todas as instituições financeiras elaborem, testem e implementem um programa de emergência para a reparação de falhas eventuais dos planos do ajuste das empresas ao "bug" do ano 2000. Um programa em cinco fases: planejamento estratégico, análise de riscos potenciais, planos de contingência, testes de validação e procedimentos complementares. Coordenador do Comitê para a Solução do Ano 2000, do BC, Roberto Fatorelli Carneiro diz que o sistema financeiro está praticamente vacinado contra o "bug" (erro de computação). O risco está nos provedores de bens, serviços, sistemas e equipamentos consumidos pelas empresas do setor - incluídos os grandes fornecedores de energia elétrica e telecomunicação. Diretor de Tecnologia da Febraban, entidade nacional dos bancos, Wilson Gutierrez informa que o setor acaba de passar nos testes integrados das grandes e médias instituições financeiras, realizados em abril e agora em junho. Haverá um terceiro teste, com todo o sistema, em agosto. BC e Febraban trabalham a quatro mãos no cerco ao "bug". Na mira, os três campos de data onde estão enterradas as minas do "bug" em sistemas de computação e equipamentos chipados ainda com o ano de dois dígitos. O primeiro deles é 9 de setembro próximo (9/9/99). O computador traduz 9999 por fim de arquivo. O segundo, o da fera, é o 1 de janeiro de 2000 (1/1/00). O número 00 significa 2000 ou 1900? Erro de um século à ré já não é mais "bug". É um "big-bang". O terceiro é o 28 de fevereiro vindouro. O ano 2000 é bissexto, mas uma certa artimanha aritmética dos computadores não bate com a do calendário de São Gregório e deve ignorar a existência do dia seguinte, 29 de fevereiro. Um imbroglio contábil. Com o programa de emergência, BC e Febraban esperam livrar-se também dos riscos externos que rondam as três datas críticas do "bug" digital. Para a tranqüilidade geral de correntistas, investidores, mutuários, acionistas, usuários. O Tesouro Nacional, igualmente com as barbas de molho, adiou, esta semana, por três dias, um leilão de títulos federais com vencimento em 5 de janeiro. Circular do BC recomenda às instituições financeiras que evitem fechar negócios e contratos com vencimento entre 31 de dezembro e 7 de janeiro, pedaço de mau caminho do "bug". Empresas e pessoas em geral que tratem de fazer a mesma coisa. Até o elevador pode enguiçar. Todos a bordo O maior evento sobre o "bug" (nos planos tecnológico, legislativo e jurídico) está programado para amanhã e terça-feira no Hotel Glória, no Rio. Promoção da Associação Nacional das Empresas Brasileiras de Software e Serviços de Informática. Mundo distraído Pesquisa do Banco Mundial, em março, dá calafrios. De 139 países vistoriados, 118 não estão preparados para o "bug". Se é que ainda haveria tempo (e dinheiro) para o desconto desse atraso. Pode sair caro Em todo o mundo, há toda uma "indústria" de indenizações judiciais aguardando a chegada do "bug". Com apetite de orca ártica. Fala-se em reparações penais no total telúrico de US$ 2 trilhões. Terrorismo? Quanto vale? Simulação do consultor jurídico Renato Opice Blum (que lança livro do "bug" dia 24 pela LTR) aponta para o Brasil um "mercado" de indenizações de até US$ 15 bilhões. Por danos operacionais, financeiros, patrimoniais, físicos e morais. |
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