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Em estado de graça O Palmeiras joga, hoje, contra o Corinthians, uma partida que seria crucial se a equipe não estivesse em estado de graça, ungida pela conquista de um título que vinha sendo a idéia fixa do clube, da torcida, do treinador e dos jogadores palmeirenses. Nem digo que o Palmeiras vá fazer um "abre alas" pra ver passar a banda do Corinthians, cantando coisas de amor. Mas é fora de dúvida que um provável sucesso do rival, hoje, há de doer menos. Com certeza, haverá muita luta, na mesma dimensão épica do jogo contra o Deportivo Cali, no meio da semana. Mas, perdendo a decisão, não será o fim-do-mundo. A bem da verdade, quarta-feira, o Palmeiras nem chegou a jogar bem, como seria de esperar. Time não lhe falta pra jogar bonito. Sucede, porém, que os colombianos conseguiram transformar o jogo numa colossal pantomima. Fizeram o diabo pra estragar a noite. Cerca de 40 faltas, todas com a deslavada intenção de matar o tempo, de matar cada jogada construída pelo Palmeiras. Que dizer de um jogo em que houve mais tempo de bola parada que de bola em jogo? É inacreditável que a arbitragem tenha consentido tais e tamanhas afrontas ao espírito esportivo. A cera mais despudorada começava no goleiro e acabava no sistemático fingimento de lesão de todos os jogadores colombianos. É inconcebível que o árbitro não tenha descontado, integralmente, o tempo roubado ao jogo pela equipe do Deportivo. Felizmente, o castigo viria a cavalo. Aquela bola do derradeiro pênalti, chutado pelo "capitão" Zapata, só não entrou por obra e graça do juízo final. Um anjo do bem, escondido atrás da baliza deve ter soprado aquela bola, pras profundas do inferno, onde a consciência dos jogadores do Deportivo ficará ardendo por muitos e muitos séculos, amém. Glórias, pois, ao Palmeiras, que dignificou o futebol, conquistando, epicamente, o título de campeão das Américas, há tanto tempo embalado como um sonho de uma noite inesquecível. FLA-VASCO? - Que angústia não ter escrito sobre o jogo Flamengo-Vasco. Quando saiu o campeão, ontem, a coluna já estava pronta e devidamente impressa. Por um lado, são os ossos da era empresarial do jornalismo; por outro lado, as imposições da implacável parceria clubes-televisão. Afinal, um jogo dessa envergadura tem toda cara de domingo. E eu me pergunto, desconsolado: por que não nasci com o dom da profecia? O RITUAL DOS PÊNALTIS - A disputa de pênaltis entre Palmeiras e Deportivo Cali foi, sem sombra de dúvida, uma das mais emocionantes a que já assisti. Me deu a impressão de um filme de suspense cujo enredo ia sendo escrito ao mesmo tempo em que a película era rodada. A multidão palmeirense passou, bravamente, pelo teste de carga emocional. Coração, nota dez. Quando uma partida dramática vai pros pênaltis, há sempre quem se queixe de que a fórmula é muito cruel pro jogador. Francamente, não penso assim. Nem concordo com os que dizem que o critério é lotérico. Sorte coisa nenhuma. É, isso sim, uma prova de habilidade técnica e de grande força mental. O jogo Palmeiras-Deportivo não chegou a ser grande coisa. O espetáculo foi salvo justamente no capítulo dos pênaltis: o suspense de cada chute, o semblante súplice dos jogadores, no grande círculo, o heroísmo latente do goleiro, a vasta solidão do cobrador, a angústia abismal da multidão - tudo, enfim, daria ao espetáculo um epílogo, ao mesmo tempo, sufocante e sublime. A CABEÇA DE J. BAIANO - Médicos canadenses descobriram de onde veio a assombrosa inteligência matemática de Einstein: a região parietal do cérebro do nosso gênio é 15 por cento mais larga que o normal. Um formato que nunca foi observado em nenhum outro cérebro. Pois olha, amigo leitor: sou capaz de jurar que, um dia, a ciência vai constatar coisa parecida no cérebro de Júnior Baiano. Claro que noutra direção. Não pode ser normal a cabeça de alguém que faça o que fez, no jogo Palmeiras-Deportivo, o indigitado zagueiro: seu time acaba de fazer um gol, a fórceps, está suando a alma pra arrancar o segundo gol de sua redenção, aí, Júnior Baiano, e, em plena pequena área, desfere uma torquês voadora, que manda pro alto o atacante colombiano. Pênalti, inquestionável! Os cientistas que me respondam: de que cor é a massa cinzenta de tão insensato filho de Deus? RÁPIDAS E RASTEIRAS - G-14, que reúne a elite dos clubes europeus, decidiu, em reunião plenária, acabar com a sopa dos empresários do futebol: as transações de jogador, agora, serão feitas, entre os clubes, no mano-a-mano, sem qualquer intermediário. É uma cacetada na Fifa que foi quem oficializou o voraz cartel dos empresários de futebol. ******* Gente, dá pra entender? Numa jogada estranha, a Confederação Sul-Americana de Futebol decide indicar o Vasco da Gama representante do Brasil no mundial de Clubes, recém-criado pela Fifa. Aí, pra não ficar mal com os paulistas, vem a CBF e indica o Corinthians também. A pergunta é a seguinte: por que não esperaram a decisão da Libertadores? Por que discriminar o Palmeiras, justamente, o mais fresquinho entre os campeões da América? Correspondências para "Na Grande órea": Cx.Postal: 34062 - CEP: 22.462-970 -Rio de Janeiro - RJ - http://www.armandonogueira.com.br - E_MAIL: xapuri@armandonogueira.com.br |
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