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CINEMA II Mistério de Lulu não tem lógica, mas vale a pena Se você for ao multiplex Recife/Boa Viagem, esta semana, e sentir-se mais uma vez soterrado pela avalanche de filmes comerciais expostos na marquise, observe a presença de O Mistério de Lulu (Lulu on the Bridge, EUA, 1998), do escritor e (agora) cineasta Paul Auster. É o ponto fora da reta das opções cinematográficas nesta época e lançamento improvável para um multiplex. Apresentado na Mostra Rio, em setembro último, o filme é um exercício de clima e envolvimento sobre um saxofonista (Harvey Keitel) que sofre atentado durante um show e, aparentemente em transe, apaixona-se por uma atriz (Mira Sorvino) que trabalha numa nova versão de A Caixa de Pandora. Numa definição rasteira, trata-se de "um filme de arte", tanto pelo clima constante como pelo final presunçoso e levemente hermético. Auster havia colaborado com Wayne Wang nos superestimados Cortina de Fumaça e Sem Fôlego (Smoke e Blue in the Face, ambos de 1995), mas aqui trabalha só. Através de personagens quase interessantes, cria uma narrativa que deixa o espectador sempre a um passo atrás, mas nem por isso, interessado no que se desenvolve na tela. O amor entre Keitel e Sorvino parece, às vezes, difícil de acreditar, especialmente após a introdução de um elemento bizarro na trama, uma misteriosa pedra mágica(!) achada junto de um morto, na rua. A pedra brilha no escuro e parece estimular sensações relacionadas ao sexo e ao amor, inspirando no casal saxofonista/atriz juras de paixão que beiram o ridículo. De outra forma, a inclusão da tal pedra parece mais um elemento exótico do que algo realmente pleno de significado. Como elemento hitchcockiano, a pedra irá despertar a violência e a cobiça, levando Keitel a ser torturado por Willem Dafoe, num armazém abandonado... Muito se fala sobre o mineral, mas o espectador não tem a mínima idéia do que seja, algo que supostamente faz sentido no final, mas não faz. Lembrando do filme agora, ele realmente não junta muita coisa. Não fica claro exatamente o que Auster está querendo e, logo, a impaciência toma conta do espectador, embora vez por outra sinais de vida são percebidos no elenco que inclui ainda Mandy Patinkin e Vanessa Redgrave, que dirige a nova versão de A Caixa de Pandora. Mesmo assim, uma opção inusitada dentro do cardápio comercial. Vejam vocês mesmos. (K.M.F) |
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