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MODA Jeans agitam o Morumbi Fashion por DIANA MOURA
BARBOSA* Depois de uma abertura tranqüila, o VI Morumbi Fashion Brasil viveu, na terça-feira passada, segundo dia do evento, seus primeiros momentos de tumulto. A agitação aconteceu no penúltimo desfile da noite, durante a entrada para a Iódice, que reuniu boa parte dos queridinhos da mídia nacional. Junto com Zoomp e Forum, a marca forma a trindade do jeans brasileiro e movimenta um público bem maior que outras apresentaçãos do Morumbi Fashion. Pois a queridinha da noite, se não decepcionou, também não surpreendeu seus mais de 1.500 convidados. Com a proposta de "reafirmar conceitos que fazem a identidade da marca", Valdemar Iódice desenvolveu uma linha que passeia por suas coleções anteriores e apresenta um resultado muito certinho e extremamente vendável para o inverno 99. Jaquetas, "spencers" e boleros são a base de sua coleção. Essas peças chegam com um corte quadrado e alguma inspiração japonesa nas jaquetas alcochoadas. As calças são longas e retas ou frouxas com comprimento pouco abaixo do joelho - uma versão completamente dispensável da calça corsário para o inverno. O visual desenhado pelo estilista é clean, com detalhes que levantam a roupa. leves drapeados ou franzidos são aplicados para brincar com a composição das peças, mas tudo bem comportado. As cores principais são o preto, branco, gelo e variação de cinza, quebrados por doses de amarelo intenso. Os dois desfiles anteriores ao da Iódice foram Fause Haten e Patachou. Com muitos pontos semelhantes aos que foram traçados por Valdemar Iódice, a Patachou também trouxe de volta as peças levemente estruturadas. Casaquinhos acinturados por preguinhas, boleros, saias midi levemente godês ou evasês deixam a mulher da Patachou mais feminina. Terezinha Santos criou uma coleção que é minimalista na essência e romântica nos detalhes. Para isso, usou lacinhos, nesgas, nervuras e outros truques que resgatam na roupa o que a estilista chama de "alma feminina": pureza, suavidade, poesia e sensualidade das formas. Um desfile que não deixa margem para erros, a não ser na insistência da saia balonê, que aqui e acolá dá o ar de sua graça nessa sexta edição do Morumbi Fashion. E se o Iódice e Patachou deixaram de lado a "desconstrução" da roupa alardeada desde o inverno passado, Fause Haten decidiu continuar apostando - e até radicalzando - nesse estilo. Haten mostrou uma coleção completamente desestruturada com peças que vieram mais para confundir. O estilista deixou de lado todas as noções de bom acabamento, corte ou senso prático da roupa. O resultado é que sua coleção peca pelo exagero, firmando-se no campo puramente conceitual. Nesse sentido, pode-se dizer que Fause Haten desenvolveu de maneira mais exacerbada a proposta da M. Officer, investindo tudo nos tecidos tecnológicos. Seu desfile foi um show de panos esgarçados, texturizados, com vários fios se misturando num visual totalmente "destroid". E haja tecido para o estilista materializar sua coleção. Cada roupa utiliza metros e mais metros de tecidos num exagero certamente criado antes da crise e da desvalorização do real. Não tenha dúvidas. E para confirmar o seu ar megalomaníaco, Haten ainda criou uns vestidos com peitos falsos. Isso é o que se pode chamar de desperdício de matéria prima. Para encerrar a noite, numa grande dose de correção e elegância, subiram na passarela os modelos da grife masculina Ricardo Almeida. Misturando algodão, nylon e couro em cores variadas e bem coordenadas, o estilista fez uma releitura dos anos 70 sem perder de vista o bom gosto. * A repórter Diana Moura viajou à convite da produção do evento |
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