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CRISE DO REAL
Câmara aprova desconto de aposentados

A Câmara dos Deputados aprovou ontem - por 334 votos a favor e 147 contra - o projeto de lei que estabelece a contribuição previdenciária dos servidores inativos e eleva a contribuição dos servidores ativos. O mesmo projeto havia sido derrubado outras três vezes pelos deputados, no ano passado.

Em Washington, no final da noite, o ministro da Economia, Pedro Malan, adiantou ontem mesmo, antes de embarcar de volta ao País, que a aprovação do projeto contribui para a perspectiva de um processo de redução das taxas de juros.

A crise financeira acabou tornando-se o principal estímulo para que os deputados mudassem de opinião. Com receio dos desdobramentos da crise, os deputados estavam dispostos a aprovar o projeto impopular temendo que a responsabilidade pelo agravamento da crise viesse a cair nas costas do Congresso Nacional. O polêmico projeto é considerado um passo fundamental no ajuste fiscal prometido pelo país ao FMI. Sem ele, o Brasil não receberá os US$ 41,5 bilhões de ajuda externa.

O mercado financeiro apostava tanto na aprovação do projeto que fechou em alta, de 3,97%, antes mesmo da votação, em Brasília. Apesar da expectativa favorável, o País voltou a perder recursos ontem, com a saída de US$ 339 milhões. No acumulado do mês, a sangria de dólar já ultrapassa US$ 5 bilhões. As oscilações da cotação do real contra o dólar se reduziram. No fechamento, o dólar comercial terminou a R$ 1,59, uma desvalorização de 1,89% do real contra o fechamento de anteontem e de 23,84% desde terça-feira, um dia antes da mudança na política cambial.

Na queda de braço com o mercado para defender a cotação do real, o Banco Central voltou ontem, pelo segundo dia, a puxar os juros para cima, emprestando recursos a 32,5% ao ano, contra os 32% de anteontem. Na segunda, os juros do over estavam em 30%. Com os juros mais altos, o governo estimula os exportadores a trazer mais rapidamente seus dólares ao país para investir em reais. Tenta barrar uma desvalorização maior do real contra o dólar.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.01. 99