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CRISE DO REAL III
Servidores de cinco sindicatos de PE entram com ação na Justiça

Servidores públicos federais, ligados a cinco sindicatos trabalhistas de Pernambuco entram hoje com ação na Justiça contra o projeto que determina o aumento de 11% para até 25% na contribuição previdenciária e passa a descontar 11% dos salários dos inativos, até então isentos. Segundo a secretária do setor de aposentados do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e Previdência (Sindsprev), Socorro Sarmento, a ação será fundamentada na inconstitucionalidade da medida governamental.

"Este projeto é ilegal, uma vez que o aumento da contribuição significa a redução dos nossos salários. Vale destacar que há quatro anos estamos sem aumento", diz. A mudança na cobrança da contribuição previdenciária afetará 12 mil funcionários federais aposentados no Estado. Entre os ativos os números são mais expressivos. Só do pessoal ligado ao Sindsprev são 11 mil. Do Sindicato dos Servidores Federais de Pernambuco são outros 15 mil.

Ontem a tarde cerca de cem servidores realizaram um protesto contra o projeto. Saíram da Praça Maciel Pinheiro em caminhada até a Assembléia Legislativa Estadual, onde foi feito um ato público de repúdio. A manifestação foi marcada pela revolta dos trabalhadores, principalmente entre os inativos.

Aposentado há nove anos pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, o servente Geraldo Cordeiro da Silva, 59 anos, classificou de absurda a medida do Governo Federal. "Depois de anos contribuindo, agora no fim, ter de voltar a pagar é triste", desabafou.

O economista e advogado Joel Sarruá Rodrigues, 61 anos, aposentado pelo INSS desde 1991, diz que o projeto é uma falta de respeito e representa a perda de poder socioeconômico. "A cada dia somos surpreendidos com novos aumentos. Elevaram em 10% o desconto de Imposto de Renda, sem falar no ICMS. Depois de ter contribuído enquanto estava trabalhando, temos de encarar perdas justamente quando mais estamos precisando, uma vez que os gastos para manter a saúde são imensos. O idoso fica sem direito a lazer".

Ele diz que o Governo deveria se empenhar em cobrar os débitos dos grandes devedores da Previdência, cuja dívida chega a R$ 44 bilhões. "Além disso, os usineiros têm dívidas com o Banco do Brasil e BNDES e não quitam. Os financiamentos concedidos têm de ser revistos para que os devedores não usem mecanismos para se livrarem do débito". Rodrigues destaca ainda que a Previdência tem de ser preparada para impedir a sonegação que hoje supera a casa dos 50%.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.01. 99