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CRISE DO REAL IX Para evitar inflação, União vai ignorar o desemprego SÃO PAULO - Para manter a inflação anual na casa de um dígito o Governo vai ter de fechar os olhos para o crescimento do desemprego. A previsão do presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Juarez Rizzieri, é que a taxa de desemprego, hoje em torno de 8%, atinja os dois dígitos este ano para que uma taxa de inflação não supere a barreira dos dois dígitos. A Fipe estima para 99 uma inflação entre 6% a 7%, se a desvalorização do real ficar em 25%. Esse é um dilema que o Governo terá de administrar. "Para a sociedade, a inflação tem um custo maior, porque atinge todo mundo indiscriminadamente, enquanto o desemprego afeta uma fração da sociedade, embora seja um foco de tensão", afirma Rizzieri. Para evitar a orgia inflacionária, o Governo terá de segurar a demanda interna e deixar que a demanda externa leve a economia, diz ele, referindo-se ao efeito positivo da desvalorização nas exportações. Mas ressalta que não se pode minimizar o efeito de formação das expectativas em relação ao ajuste fiscal, corte de gastos do Governo e melhora das contas externas. Se as expectativas forem positivas, o efeito sobre os preços será instânteneo, ou seja, ocorre de uma tacada só, e depois desaparece. Mas se for negativa, o futuro do real está comprometido. Significa a volta dos contratos indexados a índices de preços ou a moeda americana. |
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