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CRISE DO REAL X
Consumidores cancelam pacotes de viagens para o exterior

por ALEX GOMES & MARCONY ALMEIDA
Especial para o JC

A subida do dólar frustrou os planos de quem estava de viagem marcada para o exterior. Os pacotes internacionais oferecidos pelas agências de viagens subiram de preço e muitos clientes cancelaram suas programações. O valor obedece a cotação da moeda americana, com isso quem estabelece o preço é o câmbio. Muitos clientes da operadora Meltur, que haviam pago a primeira parcela da viagem ao exterior, procuraram a agência pedindo a devolução da quantia, devido a mudança do mercado.

Segundo o superintendente comercial da Meltur, Jaime Menin, o momento é de preocupação para agentes de viagens, porque a crise do real está acontecendo justamente no período de alta estação, quando as agências mais lucram com o turismo. Os pacotes para os roteiros mais procurados como Miami e Nova York, nos Estados Unidos, custam a partir de US$ 1,2 mil, por pessoa, durante dez dias. Com o valor do câmbio a US$ 1,20, a viagem sairia a R$ R$ 1.440,00. Agora, com a taxa do dólar a US$ 1,57 (valor negociado pelas agências ontem), a mesma viagem está por R$ 1.884,00.

Na Espaço Turismo, os sócios da agência também temem queda na procura por viagens. De acordo com o sócio Bruno Gonçalves, todo o mercado de turismo está apreensivo com a alta do dólar. A excursão para Buenos Aires, na Argentina, está custando US$ 223,00 durante quatro dias, sem a parte aérea. Antes da flutuação do mercado, com a moeda valendo US$ 1,20, o roteiro saia por R$ 276,52. Agora, a mesma viagem está por R$ 350,11. Uma diferença de R$ 73,59.

TRANSFERIR - A proprietária da Best Turismo, Carla Borba, diz que os consumidores estão adiando as viagens e preferindo esperar até onde vai a flutuação do câmbio. Para ela, o preço do dólar não é o único impedimento para quem quer viajar. As operadoras parcelam o pagamento, mas há juros que giram em torno de 2,7% ao mês. "O cliente paga a mensalidade pelo dólar do dia", analisa.

As empresas de aviação estão alterando suas políticas de desconto e prazo. A TAM suspendeu o crediário em até cinco vezes sem juros. Os descontos da Varig, que antes chegavam a 60%, foram cortados pela metade e, agora, são de no máximo 30%. A Vasp informou que ainda está analisando o mercado.

Na Transbrasil todas as formas de pagamento foram alteradas. Para os vôos domésticos e regionais, o número de parcelas caiu de cinco para três, sem entrada e sem juros. Quem viaja para os Estados Unidos e pagava o bilhete em até 10 vezes terá apenas a metade do tempo para quitar a dívida.

TURISMO INTERNO - Quem saiu ganhando com a desvalorização do real foi mesmo o turismo interno. Para a presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagens de Pernambuco (Abav-PE), Ana Paola Tavares, o momento é de reformulação nas empresas, para uma nova fase no turismo doméstico.

"A cotação alta de R$ 1,57 está fazendo empresas aéreas cancelarem descontos e prazos dilatados, mas esperamos que o mercado do turismo doméstico aqueça depois, a partir da reformulação que se esboça agora nas empresas", diz Ana Paola Tavares. A Abav nacional divulgou, na terça-feira, um aumento de 5% na projeção de crescimento para o turismo interno, de 35% para 40%, com a campanha feita pelo órgão, junto com a Embratur.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.01. 99