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KOSOVO Navios de guerra no mar Adriático BRUXELAS - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai estacionar vários navios de sua força naval, que inclui porta-aviões da 7ª Frota dos EUA, no Mar Adriático, diante do litoral da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), informou ontem comandante militar da aliança, general americano Wesley Clark, que considerou "insatisfatória" suas negociações com o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, para redução da tensão em Kosovo. O general decidiu também reduzir de 90 para 48 horas o prazo para preparar um ataque aéreo. "A medida é necessária porque já foi dada a ordem de 'ativação militar' das forças da aliança". Clark e o general alemão Klaus Neumann, chefe da comissão militar da Otan, fizeram um relatório de sua missão em Belgrado aos chanceleres da aliança e ao secretário-geral Javier Solana. Milosevic, disseram eles, fez apenas "algumas concessões" depois de sete horas de árduas negociações. O presidente iugoslavo prorrogou por mais 24 horas o prazo de expulsão do diplomata americano William Walker, chefe da missão de verificadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que zelam pelo cumprimento das cláusulas do acordo de cessar-fogo firmado por Milosevic em 12 de outubro. "Mantenho o decreto de expulsão de Walker", insistiu Milosevic que acusa o diplomata americano de "trabalhar" para a CIA e para os "terroristas" do Exército de Libertação de Kosovo. "Nosso problema é com o diplomata americano. E não com os verificadores." O embaixador Walker responsabilizou a polícia sérvia pelo massacre de 45 albaneses étnicos civis de Racak (ao sul de Pristina), ocorrido na sexta-feira pela manhã. Walker recebeu instrução do presidente da OSCE, Knut Vollebaek, para ignorar o ultimato iugoslavo. "Não creio que Belgrado manterá essa decisão", justificou. Milosevic garantiu aos generais da Otan que apenas luta contra o terrorismo em Kosovo. E disse que as vítimas do massacre eram terroristas. "O combate ao terrorismo não pode ser classificado de ataque a civis", ressaltou. "A Iugoslávia está apenas defendendo seu território e não vai abrir mão desse direito". Nenhuma das vítimas da chacina usava uniformes. Suas idades variavam de 18 a 65 anos. Entre os mortos - todos com tiros na cabeça ou no peito e mutilados, segundo testemunhas -, havia uma mulher e uma criança. Milhares de pessoas fugiram de suas casas em Kosovo. |
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