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POLÊMICA II Câmara aprova lei e avenida volta a ser chamada de Beira Rio por BRUNO ALBERTIM Os moradores da Avenida Beira Rio, na Madalena, voltaram a morar na via onde sempre residiram. Por unanimidade, a Câmara de Vereadores do Recife aprovou, na tarde de ontem, o projeto de lei que devolve ao logradouro o seu nome tradicional. A aprovação representa o fim de uma briga de três anos, nos quais a comunidade local teve que enfrentar uma série de problemas para ter de volta a designação que remete a um dos símbolos maiores da cidade - o rio Capibaribe - no lugar do nome de um ilustre desconhecido para os recifenses, o comerciante Agostinho Cavalcanti Gomes. "Falta apenas a sanção do prefeito, que já garantiu que irá fazê-lo, porque isso representa uma dívida com os moradores. Aquela avenida não é apenas um lugar de passagem. É um espaço de convivência: a associação de moradores mantém os canteiros e faz parcerias com a polícia para manter a segurança. A Beira Rio faz parte da história da comunidade", diz a vereadora Luciana Azevedo, autora do projeto de lei que retoma o nome tradicional da via e moradora do lugar. BATISMO - Os moradores foram dormir num endereço e acordaram noutro, em setembro de 96, quando o vereador Romildo Gomes resolveu, em seu primeiro mandato, homenagear um parente rebatizando uma das principais artérias do Recife. O político diz que o homenageado foi proprietário de uma camisaria no Recife e um dos primeiros sócios do Clube Português. Tais méritos justificariam a mudança de uma via com mais de cinco décadas de denominação. "É um homem importante e apenas um primo distante meu", diz o vereador, tratando o parentesco como mera casualidade. Os problemas para os moradores não se resumiram em lutar para morar numa rua com um dos nomes mais conhecidos da cidade. Vários deles enfrentaram situações complicadas porque se julgavam residindo num endereço que na realidade não existia mais. "Eu não consegui habilitar um celular porque meu endereço não era aceito. Várias pessoas tiveram que pagar contas com atraso e ficaram sem correspondência até saber que a avenida tinha mudado", diz o síndico do edifício Residências da Beira Rio, José de Andrade Nunes. "Mesmo quando a gente soube que o endereço era outro, as cartas não chegavam porque os carteiros sempre acreditavam que a avenida era Beira Rio", completa. Além de contas atrasadas, dificuldade em aprovar cadastros no comércio, ameaças de telefones cortados devido às faturas que não chegavam, os cerca de 2 mil moradores da avenida teriam quer arcar com um custo financeiro. Assumiriam os ônus cartoriais para a mudança da escritura dos imóveis. "A gente sabe de casos de mudança que não avisadas aos moradores e a PCR multa os proprietários pelo atraso na regularização do imóvel", alega o presidente da Associação de Moradores da Beira Rio, Joaquim Pinheiro. |
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