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EDUCAÇÃO
Morador do Cabo protesta para garantir verba do Fundescola

Cerca de 500 professores, estudantes e representantes de entidades comunitárias do Cabo de Santo Agostinho realizaram, ontem, uma manifestação contra os novos critérios de liberação das verbas do Fundescola. O programa, desenvolvido em parceria entre o Ministério da Educação (MEC) e o Banco Mundial (Bird), concede linhas de financiamento para projetos de incremento do ensino fundamental. Segundo o secretário de Educação do município, José Arimatéia Gerônimo, devido às novas regras, o Cabo deixará de receber, em 99, recursos da ordem de R$ 2 milhões que seriam investidos na construção de cinco escolas e num plano para colocar todas as crianças nas salas de aula até o ano 2000.

O secretário explicou que os critérios adotados pelo Bird para liberar os recursos se baseiam na divisão do país em Meso e Microrregiões formulada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 89. O problema é que, a partir dessa divisão, o Cabo foi desvinculado da Microrregião Recife e integrado à Suape, que só deverá ser beneficiada pelo Fundescola em 2014. "Os financiamentos são destinados às áreas com maior densidade demográfica. Saímos de uma microrregião com 2,5 milhões de habitantes, para uma com apenas 189 mil e agora estamos em 14º lugar no ranking de prioridades do programa", alega. De acordo com ele, o Cabo é 7º município mais populoso do Grande Recife e não pode ser penalizado por uma divisão injusta.

Munidos de documentos e abaixo-assinados, os manifestantes pediram a reintegração do Cabo à Microrregião Recife, ou a compensação das perdas financeiras por parte do Governo Federal. Em dez ônibus, eles chegaram ao Palácio das Princesas, onde foram recebidos pelo secretário de Planejamento, José Arlindo Soares, que garantiu o apoio do governo.

De lá, a manifestação seguiu para o IBGE, na Rua do Hospício. Segundo o chefe do instituto no estado, Miguel Medeiros, a divisão foi criada para facilitar a realização de pesquisas no país. "A questão só pode ser resolvida por quem está fazendo uso indevido desses critérios". Os manifestantes irão agora exigir as verbas junto ao Governo federal.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.09.99
Terça-feira