LG_jc.gif (3670 bytes)

SAÚDE
Novo remédio facilita o dia-a-dia do hipertenso

Pessoas que sofrem de hipertensão arterial já têm o que comemorar. Já existe um novo tipo de tratamento que combina, em baixas doses, duas substâncias químicas, os chamados betabloqueadores e diuréticos. A novidade possibilita um melhor controle do tratamento de hipertensão - que significa um aumento da pressão do sangue - do tipo leve a moderada. Esse foi um dos temas discutidos, ontem, durante o 54ª Congresso Brasileiro de Cardiologia, que acontece no Centro de Convenções.

De acordo com o tratamento, a junção dessas duas substâncias engloba mecanismos distintos. O diurético elimina o excesso de sal do corpo. Já o betabloqueador inibe a atividade exagerada do sistema nervoso simpático, que provoca a chamada vasoconstricção, uma espécie de espasmo que aumenta a pressão arterial. O professor de cardiologia da Universidade de Pernambuco (UPE) Dário Sobral Filho, que também é o presidente do congresso, afirma que esse procedimento pode reduzir, em alguns casos, o valor do tratamento em até 30%.

"Com um antibiótico caro, por exemplo, o paciente tem condições de comprá-lo porque o tratamento dura, em média, sete dias. Mas, para os remédios que cuidam da hipertensão fica muito difícil, pois o tratamento dura o resto da vida", afirma. Segundo ele, um dos grandes problemas para os cardiologistas era encontrar um remédio que fosse eficaz e não produzisse efeitos colaterais. Além disso, dependendo da gravidade da situação, o doente era obrigado a tomar o remédio de três a quatro vezes ao dia.

"Neste caso, o paciente chega a ingerir somente um comprimido", diz o presidente do congresso. Segundo os especialistas, estima-se que 15% da população mundial tenha problemas de hipertensão arterial. Deste total, 50% não sabem que são hipertensas, pelo fato da doença não apresentar sintomas aparentes. Quanto ao Brasil, a situação não é bem diferente. "Cerca de 300 mil hipertensos morrem por ano em decorrência de doenças cardiovasculares e de complicações que a hipertensão pode provocar, como o enfarte e o derrame cerebral".

PREVENÇÃO - Contudo, a hipertensão não é tratada só com medicamentos. Para melhor controlar a doença, é preciso tomar alguns cuidados. Entre eles, estão a redução no consumo de bebidas alcoólicas e a ingestão de sal, controle do estresse, a eliminação do consumo de cigarros e, principalmente, consultar um médico pelo menos uma vez ao ano. O 54ª Congresso Brasileiro de Cardiologia vai até esta quarta-feira (22).

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 21.09.99
Terça-feira