![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
ARQUEOLOGIA Muralha esconde Pedra do Ingá por CLEIDE ALVES INGÁ - Arqueólogos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão criticando a colocação de 38 placas de cimento na frente da Pedra do Ingá, o monumento mais representativo da gravura rupestre no Brasil. O objetivo da muralha, construída pelo Governo do Estado da Paraíba com autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é proteger a pedra da ação de vândalos. Para a arqueóloga da UFPE Gabriela Martín, a solução foi bastante infeliz. "Proteção se faz colocando gente para vigiar, o muro acabou com o monumento". Gabriela Martín explica que a Pedra do Ingá, distante 96 quilômetros da cidade de João Pessoa (PB), não pode ser vista como um monumento arqueológico isolado na paisagem. "O entorno da pedra e o meio ambiente também fazem parte do sítio arqueológico", destaca. Ela questiona a eficácia do muro enquanto elemento de proteção da gravura rupestre mais famosa do país. "Aquilo não impede nada, as pessoas continuarão entrando do mesmo jeito. O muro só tira a beleza e o encanto de um dos maiores monumentos do Brasil". A Pedra do Ingá foi o primeiro monumento arqueológico tombado como patrimônio nacional, em 29 de maio de 1944. O bloco principal, onde encontra-se a maioria das inscrições, mede 24 metros de comprimento por 3,8 metros de altura. É esse o painel `protegido' pelas placas de cimento. As gravuras registradas há milhares de anos pelos primeiros habitantes do Nordeste, na Pedra do Ingá, ainda não foram decifradas pelos pesquisadores. Produzidos por machadinhas e talhadeiras de pedras, os grafismos guardam informações sobre a vida, os costumes ou o imaginário dos povos pré-históricos. Uma das representações mais constantes no local são linhas onduladas que parecem imitar o movimento das águas. Arqueólogos da UFPE acreditam que as gravuras dos painéis são relacionadas ao culto das águas, recurso escasso no Semi-árido nordestino há milhares de anos. DEBATE - O assunto será discutido hoje pela manhã no seminário Arqueologia e Preservação do Meio Ambiente, um dos eventos da 10ª Reunião Científica da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), que acontece no auditório do Centro de Tecnologia da UFPE, a partir das 10h. Na ocasião, serão expostas fotografias mostrando o paredão de cimento. Aproveitando a presença do governador da Paraíba, José Targino Maranhão, na abertura do encontro, ontem à noite, Gabriela Martín pediu para que a muralha fosse retirada o mais rápido possível. Gabriela Martín recorda que essa não é a primeira agressão contra o sítio arqueológico da Pedra do Ingá. Entre 1994 e 1996 foram colocados na entrada do sítio réplicas em gesso de três animais gigantes já extintos - um tatu, uma preguiça e um mastodonte. "Pareciam bichos de carnaval e, além disso, não tinham nada a ver com o local. Reclamei muito e os bichos foram retirados". A Pedra do Ingá foi usada no logotipo do Congresso de Arqueologia realizado em João Pessoa, no ano de 1993. |
|