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ARQUEOLOGIA II
Sítio arqueológico está sem manutenção

Apesar de ser tombada como patrimônio nacional, a Pedra do Ingá não recebe a devida atenção. Os cinco funcionários que faziam a manutenção do sítio foram demitidos, este ano, pela Prefeitura do Ingá, que também suspendeu a coleta de lixo no local. Desde então, a conservação do patrimônio é feita apenas pelo ex-funcionário Renato Alves, que administra o sítio arqueológico com a esposa, Cecília Alves.

Eles instalaram uma lanchonete na entrada do sítio, onde também vendem camisetas com estampas da arte rupestre, livros sobre a Pedra do Ingá e artesanato local em crochê. "Com esse dinheiro, pagamos uma ajuda de custo ao vigia noturno, além das contas de água e luz", diz Renato Alves, que administra a área há 11 anos. Ele disse que, em breve, as visitas serão cobradas - R$ 1,00 por pessoa -, com consentimento da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur).

Os tíquetes de acesso serão vendidos na guarita construída no novo acesso ao sítio arqueológico. Sobre o muro instalado no ano passado, Renato e Cecília Alves disseram que os visitantes criticam bastante, mas a medida é necessária. "As pessoas dizem que ficou horrível e deselegante, mas quem administra sabe das dificuldades. Antes tinha serenata direto nas pedras e a sujeira era grande, agora isso não existe mais", garante Renato Alves.

Segundo ele, sem o muro de pedra, a integridade do sítio seria garantida com a presença de um vigia diurno, um zelador fixo e um vigia noturno. Em termos de dinheiro, seria algo em torno de R$ 500,00. Hoje, ele paga R$ 50,00 de energia elétrica, R$ 100,00 de água (sete mil litros por mês, comprados em Santa Rita) e R$ 20,00 ao vigia noturno.

"A prefeitura não investe nada aqui. Quem tem feito alguma coisa é o Governo do Estado, que reformou a casa onde funciona o Museu de História Natural e refez a cerca. Mas isso ainda é pouco. A Estrada da Itacoatiara (dois quilômetros que levam ao monumento) está parecendo uma peneira", ressalta. Desde que a coleta foi suspensa, o lixo passou a ser queimado no local.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.09.99
Terça-feira