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PRIVATIZAÇÃO II
Privatização ameaça eletrificação rural

A manutenção dos programas de eletrificação rural é uma das principais incógnitas do processo de privatização da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). Projetos como o uso de energia solar em localidades do interior pernambucano estão diante da possibilidade de término no caso de não contarem mais com a assistência da Celpe. Em todo o Estado são cerca de 700 sistemas implantados em escolas ou residências.

De acordo com o professor de engenharia elétrica da UFPE, Heitor Costa, a privatização da Celpe gera dúvidas quanto a manutenção dos serviços de energia solar nas propriedades do interior do Estado, considerada uma atividade de caráter mais social que lucrativo. Em muitos casos, o consumo de energia é tão baixo que as despesas com a entrega da conta de luz são maiores que o valor pago pelo uso da energia, o que não motivaria o futuro comprador da Celpe a investir nessas áreas.

A utilização de energia solar como alternativa para ampliar as áreas de eletrificação rural existe há cinco anos com apoio da Celpe. A empresa deve acompanhar o projeto até o final do ano, o que inclui reposição de equipamentos e acompanhamento técnico geral. Esgotado esse prazo, a empresa, já privatizada, passa a não ter mais obrigações com a iniciativa. Para Costa, uma opção para amenizar o problema seria a capacitação de eletricistas do meio rural para dar continuidade à instalação dos equipamentos de energia solar nas propriedades.

A experiência de privatização de outras companhias de energia elétrica no Nordeste - como a Coelba, da Bahia, e a Coelce, do Ceará - mostra que, em situações do tipo, a tendência é transferir as obrigações das estatais para secretarias do governo estadual, como as de infra-estrutura. Segundo Heitor Costa, a qualidade do serviço diminui sempre que essa transferência de funções é feita, já que se verificam perdas na qualidade do suporte técnico para esses projetos.

O custo por eletrificação de cada propriedade rural é de R$ 4,5 mil. Com o equipamento básico de instalação é possível ter energia para o uso de um aparelho de rádio, um de televisão, um liquidificador e três ou quatro pontos de saída de energia.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.09.99
Terça-feira