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MERCOSUL
Chanceler argentino quer evitar guerra comercial

BUENOS AIRES - A Argentina ainda não sabe como responder à represália brasileira, que levanta barreiras técnicas para cerca de 400 produtos argentinos. As declarações de funcionários do primeiro e segundo escalões argentinos indicam que o governo de Carlos Menem não pretende ir à desforra. "Não haverá guerra comercial. Precisamos evitar represálias", afirmou o chanceler argentino, Guido Di Tella. O secretário de Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, concorda com seu colega: "Não há lugar para um medida similar por parte da Argentina".

A guerra comercial entre os parceiros do Mercosul começou na sexta-feira, depois do fracasso de uma missão diplomática brasileira, que chegou a Buenos Aires tentando suspender medidas que travam a entrada de calçados brasileiros no mercado argentino nos próximos 60 dias. Depois de dois dias de negociações, sem avanços, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anunciou que incluiria os produtos argentinos nos trâmites burocráticos exigidos para outros países. Ainda não se sabe a extensão do prejuízo que a medida brasileira significará para a Argentina.

O Ministério de Relações Exteriores argentino está aguardando um relatório do seu embaixador no Brasil, Jorge Herrera Vegas, para averiguar do que se trata a decisão brasileira e com que rigidez serão administrados os controles. Como lembrou na sexta-feira o embaixador brasileiro na Argentina, Sebastião do Rego Barros, o principal prejudicado é o país que tem superávit comercial - no caso, a Argentina. Ao que tudo indica, os argentinos querem evitar a briga frontal, pois teriam mais a perder (superávit de US$ 400 milhões).

Para Vegas, a solução mais fácil seria um acerto entre os empresários calçadistas de ambos países, o que permitiria a suspensão da necessidade de certificação, que incomoda os brasileiros. Os calçadistas, no entanto, não conseguem acertar a cota de importação, que eliminaria a disputa. O ex-secretário de Comércio Exterior Raúl Ochoa também acredita que só há clima para soluções entre os setores privados.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.09.99
Terça-feira