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Academias de ginástica para quem curte a chegada do verão

por CAROL ALMEIDA

Assim como em algumas religiões, o Réveillon nas academias brasileiras de ginástica não é baseado no calendário padrão que divide o ano em 12 meses e 365 dias. No universo da malhação, o ano começa no mês de setembro, ou melhor, com a chegada do verão. A intensidade mais forte da luz do sol indica que é tempo de consumir o bem mais procurado (e o mais caro) da estação: a saúde do corpo. E na corrida pelo primeiro lugar na cotação de alunos e professores, as academias apostam alto no mercado das novidades de verão.

Depois do boom do Body Pump (musculação + aeróbica), ano passado, agora é a vez do Spinning, Aeroboxe, Aeropop e Body Attack invadirem as academias. E as novidades não param por aí: ginástica facial, coletes especiais para hidroginástica, aulas que misturam ritmos e as que misturam até modalidades diferentes num tipo de gincana que soma musculação, alongamento e aeróbica. Ou seja, a ordem do momento é comer muito ferro e azarar a galera mais sarada. Lembrando que, nada de vitavena (anabolizantes) na veia.

Rositelma Ricca, aluna que bate ponto na Fitness, tem 53 anos de idade e confessa que não se enxerga mais sedentária. "Enquanto minha filha de 21 anos toma vitamina para emagrecer, eu freqüento a academia e admito que adoro isso aqui", confessa. Ela começou a fazer exercícios para baixar o colesterol e lembra que, antes de pisar na academia, imaginava o ambiente como um lugar tedioso e os exercícios como extremamente cansativos. Hoje, ela pratica até mesmo as aulas de final de semana. Gustavo Almeida, 20 anos, começou a malhar com o fatídico objetivo de diminuir a barriga e garante que pretende modelar o corpo até conseguir o resultado tão imaginado em frente ao espelho.

Cientes que existem milhões de Rositelmas e Gustavos em potencial espalhados pela cidade, as academias de ginástica utilizam inúmeros recursos para atrair um número cada vez maior de alunos. Para quem dispõe de um caixa mais folgado, a ordem é investir pesado nos equipamentos da hora. No caso do Spinning, uma modalidade que é toda desenvolvida em cima de uma ergométrica especial, cada bicicleta pode custar R$ 2 mil. Por outro lado, existem aqueles que preferem apelar para a criatividade de seus professores e, assim, não precisam de maiores cifrões na procura pela atividade mais atrativa. Alguns simplesmente acrescentam novos ritmos à aula para fazer o diferencial nas turmas que geralmente são embaladas ao som do bate-estaca típico das academias.

A começar pelas aulas de aeróbica: depois do aeroaxé, aeropop, aerodance e outras tantas terminações que têm o mesmo fim - melhorar o condicionamento físico - agora é a vez do Aeroboxe chegar às academias. Em Pernambuco, a única que já oferece o serviço em seu menu de opções é a Villadella, em Piedade. A professora Lúcia Gonzalves garante que os movimentos simulados de uma luta de boxe estimulam mais alunos e, na maioria das vezes, alunas a participarem das aulas. "O aeroboxe já é praticado no eixo Rio-São Paulo há um bom tempo e tem obtido muito sucesso por lá. Aqui a reação não será diferente", acredita Lúcia.

Também trabalhando com movimentos aeróbicos, o professor Edmilson Leandro, da Atittude, resolveu inovar as já conhecidas aulas de aeropop com uma vogal que fez a diferença: aeropope (o "pe" significa Pernambuco). Ou seja, ao invés de ficar preso somente aos ritmos das batidas de axé music costumeiras nesse tipo de aeróbica, Edmilson partiu para os ritmos autenticamente pernambucanos: maracatu, xaxado, caboclinho, côco e frevo. Ao decorrer da aulas, ele personifica as músicas vestindo coroas, coquares, chapéus de palha e outros elementos que identificam as músicas. Na Jandira Airam, a novidade do verão são as turmas do chamado Swing Brasil, um tipo de aeróbica que mistura desde música baiana até street dance do funk.

Aumentando o volume do som e do ritmo, o Spinning ou RPM (Role Power in Motion), promovido a partir deste mês pela Perfformance, é o que se pode chamar de suor à toda prova. Projetado para pessoas que já acumulam algumas horas de pilotagem na malhação, a aula é toda praticada em cima de uma bicicleta especial onde os alunos fingem que escalam montanhas, participam de corridas e, mais importante, pedalam como loucos ao som dos hits mais populares das rádios.

Na Fitness, a mais recente novidade vem com o sobrenome da própria academia (como aliás, todas as demais modalidades que existem no lugar): Step Fitness, uma aula de step mais leve que tem como maior objetivo melhorar o condicionamento físico de quem está apenas começando na vida salutar das academias. Ainda na Fitness, uma nova modalidade que está chegando este mês é o Body Attack, uma aeróbica de alto impacto para alunos de nível intermediário.

Do suor para as gotas de cloro da piscina: a última do momento é um colete que, quando usado pelos alunos, flutua o corpo sem necessidade do toque no chão. Ideal para quem tem problemas nas articulações porque reduz o impacto do pé no chão da piscina. Mas, independente de objetivos, público alvo e ambientes, o que as academias procuram cada vez mais é mostrar que, verão não é uma mera estação do ano, é sim uma filosofia de corpo.

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Jornal do Commercio
Recife - 17.09.99
Sexta-feira