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SANTA
Veneno coral só faz efeito no Arruda

Qualquer livro de zoologia classifica a cobra coral como animal selvagem e perigoso. Só que o Santa Cruz não tem feito jus à fama do animal que o simboliza. Em casa, até que a cobrinha destila seu veneno, mas quando o bote é em terreno alheio, o `bicho' pega. Até agora, foram cinco jogos como visitante, com quatro derrotas e um empate. O Tricolor tomou sete gols e não marcou nenhum. No único jogo em que não perdeu, arrancou um 0x0 do Londrina.

Mesmo com o Santa na quinta posição, tanto jogadores quanto Comissão Técnica concordam que é preciso deixar de ser presa e virar caçador para almejar a classificação entre os quatro primeiros colocados. Dessa forma, o Santa faria as duas últimas partidas do play off no Arruda. O goleiro Marcelo acredita que falta trabalhar um pouco a cabeça do elenco. "A equipe precisa botar na cabeça que tem força para vencer fora", destaca.

Ele só não quer que isso se transforme num peso para os atletas. Citando o jogo de anteontem contra o Criciúma, o goleiro até achou que o time portou-se bem, principalmente no primeiro tempo. "Fomos melhores, a ponto de atacarmos demais", observou.

Já o técnico Arturzinho estava bastante chateado. Não só com o resultado, mas, principalmente, com as circunstâncias em que ele aconteceu. Para quem não se lembra, o Criciúma teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo, não tinha apoio da torcida e jogava retrancado. "Mesmo assim, em todo contra-ataque eles ficavam no mano-a-mano", observou.

Para o técnico, o time empolgou-se demais com a contexto que lhe parecia amplamente favorável e deixou-se levar pela empolgação. "A facilidade estava muito nítida. Estava tão fácil que foi todo mundo para cima. Aí é suicídio", reclamou.

Mas o rendimento individual de algumas peças também foi motivo de críticas. De acordo com Arturzinho, alguns jogadores não estão rendendo o suficiente, o que sobrecarrega o resto do time. "Quando é um ou são dois, os outros dão conta do recado. Mas quando são três ou quatro, complica", analisou. A situação se agrava ainda mais na hora de mudar, pois ele também reclamou da carência de peças para reposição.

MUDANÇA - Quem vai jogar em outra equipe é o atacante Jarlan. Se alguém achou que o Santa Cruz já se desfez do atleta apenas três meses depois de contratá-lo pode ficar tranqüilo. O presidente Jonas Alvarenga decidiu colocar o jogador, de 19 anos, sob os cuidados de Nereu Pinheiro, nos juniores. "Jarlan é uma jóia que precisa ser lapidada", explicou Alvarenga.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.09.99
Terça-feira