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REVOLTA
Sexo é principal desculpa para trair

Não existe maior rival para os amantes do que o homem ou mulher que vivem legalmente com seus "namorados". Inicialmente deixados em segundo plano, as mulheres e maridos passam a se constituir em ameaça quando o caso paralelo torna-se mais sério. A raiva e o sentimento de inferioridade deixados pela traição podem surtir um efeito devastador em quem foi enganado, que pode tanto entrar em profunda depressão quanto ir à forra e tentar reverter a situação. "Uma das coisas mais terríveis que podem acontecer ao ser humano é sentir-se traído", diz a psicóloga Andréa Galindo.

A farmacêutica Mariana Melo (nome fictício) vivia há nove anos com o marido quando descobriu que ele possuía uma amante. Mesmo sabendo da existência de uma terceira pessoa, ela ainda conviveu durante mais um ano com ele, até se separarem. Na época, Mariana estava grávida de três meses. "Quando eu soube de tudo, ele chorou muito, dizia que tinha se arrependido. Ela ligava para nossa casa, insistia em falar com ele. Nesse período, achei que fosse desistir do caso, o que não aconteceu", relata Mariana.

Durante dois anos, seu marido continuou se relacionando com amante, com a quem chegou a ter um filho. Nesse período, a farmacêutica entrou em depressão. "Ele era simplesmente tudo para mim, eu havia me tornardo dependente dele, emocionalmente falando", lembra. Hoje, Mariana está novamente vivendo com seu marido, mas admite que a relação nunca terá o mesmo peso de antes. "Não confio mais nele, nem sei mais o que realmente sinto. Mudei muito, com tudo isso, e ele tem ciúmes dessa mudança", conta.

De acordo com Andréa Galindo, a questão sexual ainda é o grande chamariz para o homem que se aventura a trair. "Nas mulheres, percebo que esse ato geralmente acontece quando ela também já passou por alguma traição", explica a psicóloga. Já o antropólogo Parry Scott, da UFPE, acredita que essa traição é geralmente uma forma do homem mostrar sua dominação. "O sexo é uma forma de demonstrar essa força", acredita.

TRÊS MULHERES - O estudante universitário Bruno Veiga (nome fictício), 27 anos, possuiu cerca de três casos com mulheres casadas, e conta ter se esforçado bastante para que ninguém soubesse de nenhum deles, temendo a reação dos colegas. A saia justa na história de Bruno é que ele também conhecia o marido da garota, chegando a sair várias vezes com uma turma que incluía o casal. "Não era apaixonado por ela, mas apreciava sua companhia, gostava do sexo e do carinho". Bruno, no entanto, diz que não teria nada mais profundo com a menina, e admite que o medo de ser traído também pode fazer parte desse raciocínio. "Ela ter traído o marido também pode ter sido um sintoma de algum problema no casamento. A culpa pode ser dele também". (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 19.09.99
Domingo