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HIPOCONDRIA Aquela curiosa mania de doença por
SANDRA CARVALHO Maria das Dores tinha mania de remédio. Bastava passar na frente de uma farmácia e, pronto, ela fazia o dia dos farmacêuticos. Mas não era só isso. A moça não podia ler a bula: Contra-indicações: dor de cabeça, febre, tontura... E Maria começava ver tudo escurecendo e a ter a sensação que ia desmaiar. Também passava maior parte do seu tempo preocupada com a saúde, peregrinando pelos consultórios médicos, com a bolsa sempre cheia de resultados de exames - na maioria das vezes negativos. O mal que afeta esta personagem fictícia infelizmente não é tão irreal assim. A doença existe mesmo e se chama hipocondria. Trata-se de uma neurose bastante democrática, que atinge milhões de pessoas em todo o mundo, independente de sexo, idade ou classe social. Muita gente costuma não levar o hipocondríaco a sério. A tendência é pensar que a pessoa faz isso só para chamar a atenção. Mas os especialistas advertem: o paciente realmente apresenta os sintomas e, em casos mais crônicos, pode desenvolver doenças graves, todas desencandeadas não por fatores externos, mas pelo psicológico. "A mente é algo poderosíssimo. Se pensamos que estamos doente, ficamos doente", explica o psicanalista e psico-terapêuta Luiz Carlos Albuquerque. Ele lembra que a hipocondria se caracteriza por um nível de ansiedade alto e uma preocupação obsessiva pela saúde física. As causas podem ser inúmeras: instabilidade familiar, educação extremamente rígida, proteção excessiva dos pais, estresse, insegurança emocional, entre outras. O médico chama atenção para o tom pejorativo que a palavra criou. Muita gente admite "ter mania de doença", mas difícil é encontrar alguém que assuma o seu nome científico. Albuquerque ressalta que a hipocondria é uma neurose como outra qualquer e pode muito bem ser curada com acompanhamento terapêutico e até anti-depressivos para conter o nível de ansiedade. "O paciente deve relaxar mais e tentar trabalhar uma nova mentalidade e atitude diante da vida. O tratamento irá explorar sua auto-confiança", revela Albuquerque. A família e os amigos desempenham papéis importantes nestes casos. Ao invés de desprezar ou rir do hipocondríaco, eles precisam convencê-lo a consultar um especialista. |
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