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Distensão monetária Ainda não se sabe se a taxa básica de juros vai ou não subir nos Estados Unidos. A próxima reunião do Federal Reserve (Fed), banco central americano, está marcada para 5 de outubro. Pelo sim, pelo não, o mercado aposta em queda da taxa básica aqui no Brasil. Decisão esperada para amanhã, reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom). Na pauta, mexida ou não na taxa Selic e reavaliação das metas inflacionárias para 1999, 2000 e 2001. A torcida pela nova redução da taxa básica (congelada há 55 dias em 19,50%) joga com a reversão da bolha inflacionária do tarifaço de junho/julho e com a perspectiva de acomodação do dólar abaixo de R$ 1,90. A mesma aposta resulta da percepção técnica da existência de gorduras e frituras nas taxas bancárias. Na base do sistema, onde o governo se financia, a Selic caiu de 45%, na última semana de março, para 19,50%, desde julho. Para a maioria dos analistas, o corte de amanhã será cauteloso: 0,25 pontos porcentuais. Sem prejuízo da hipótese ótima de uma Selic de 18% no Natal. O elo perdido dessa corrente está nas taxas do crédito bancário. Na ponta da produção, giro e consumo, a queda dos juros tem sido meramente periférica ou cosmética. Ainda se paga até 60% ao ano no desconto de duplicatas ou até 290% ao ano no crédito pessoal das financeiras. Ou 180% no crediário de um fogão a gás. É exatamente por aí que transita a percepção política da urgência do governo em afrouxar o garrote monetário da economia. Até julho, o crédito ao setor produtivo estava no fundo do poço: abaixo de 28% do PIB. No mundo todo, de 80% a 130%. Quer dizer: um dos dois deve estar errado. Ou o Brasil ou o mundo. A distensão monetária já começou. Caiu o compulsório sobre depósitos à vista (de 75% para 65%) e a prazo (de 30% para 10%). A hipótese de nova lipoaspiração dessa gordura obscena não pode ser descartada. Claro, sem aviso prévio. E o que dizer da redução da cunha fiscal amoitada na taxa final? Só com reforma tributária? Pois a minuta do esboço do rascunho da proposta não trata disso... O professor Ernesto Lozardo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), aponta quatro outros atalhos para a redução dos juros bancários, além da amaciada dos compulsórios e da cunha fiscal: 1) flexibilização dos créditos direcionados e não lucrativos; 2) eliminação do bloqueio do principal nas pendências judiciais chumbadas à inadimplência; 3) extinção do monopólio dos bancos na compra e venda de títulos federais negociados pelo BC; 4) descomplicação do regime de atuação de bancos estrangeiros no crédito interno à produção e ao consumo. Refresco? Bancos cacarejam redução dos juros para pessoas físicas. De fato, a taxa média mensal caiu de 5,4% para 4,5% no crédito pessoal, de 11,1% para 10,3%no cheque especial e de 10,8% para 10,1% no cartão de crédito. Pode? Noviciado O mercado ainda exagera espirros e picuinhas do cenário político. Até rusgas partidárias em torno da relatoria do PPA serviram para intranquilizar os negócios. Profissionais alarmados produzem análises alarmistas. Como é que é? O mercado exigiu títulos públicos com correção cambial para aliviar a pressão sobre o dólar. Foi atendido pelo Banco Central. Agora, o mercado se diz mui preocupado com o crescimento da dívida pública atrelada ao câmbio... Diagnóstico O BC concluirá ainda em setembro o primeiro diagnóstico dos custos de crédito bancário no País. Em três campos: 1) grandes empresas; 2) médias e pequenas; 3) pessoas físicas. |
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