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PINGA FOGO
Inaldo Sampaio

Lula e Ciro no 2º turno?

A pesquisa do Datafolha sobre intenção de voto para presidente da República, publicada domingo por este Jornal, aponta lá no fim do túnel a possibilidade de confrontarem-se num eventual segundo turno dois candidatos da oposição: Lula e Ciro Gomes. Lula oscilou de 28% a 30%, dependendo dos adversários. É um percentual baixíssimo para quem está no páreo pela quarta vez e obteve em 89, quando disputou com Collor de Mello, mais de 45% dos votos válidos. Isoladamente, ainda é quem detém o maior cacife, mas, como ele próprio declarou em 98, ao fazer a defesa do alargamento de suas alianças, não se chega à presidência da República com um terço dos votos e sim com 50% mais um.

Ciro Gomes, que aparece em segundo lugar com 18% a 20%, dependendo do cenário, é quem mais ameaça o governo no momento. Além de o seu discurso de oposição ser do agrado da classe média, do empresariado nacional e de uma grande parte dos intelectuais, ele teria hoje o dobro de votos do que obteve em 1998, apesar de ser menos conhecido do que Lula, ACM, Itamar e Maluf. Por mais que a comparação o incomode, o "fenômeno" Ciro Gomes se parece cada vez mais com o "fenômeno Collor: entrou no processo como se não o estivesse levando a sério e, de repente, viu-se transformado numa alternativa real de poder, mesmo pelo PPS.

Maluf, ACM e Itamar Franco não entrariam na disputa só por vaidade e sim se dispuserem de condições objetivas de pelo menos chegar ao segundo turno, o que não é provável mas também não é impossível. Provável, hoje, se não houver mudanças radicais no jogo político, é um segundo turno com Lula e Ciro, o que seria ótimo para o PFL, PMDB e PSDB, porque o candidato deles, obviamente, seria o ex-ministro da Fazenda. Em caso de vitória, o país continuaria sendo governado pelas mesmas forças que hoje nos governam, por mais que isso não seja do agrado do senador Roberto Freire e do ex-deputado Fernando Lyra, que sonham com Ciro na presidência, mas chefiando um governo de centro-esquerda.

Fora do governo

Apesar de sua proximidade com o "núcleo palaciano", o deputado Sérgio Guerra, do PSDB, nega que pretenda substituir Jorge Jatobá na Secretaria da Fazenda. "Não fui convidado e mesmo que fosse não aceitaria" garante o parlamentar. Ele disse que presta muito mais serviços a Pernambuco em Brasília, acompanhando a execução do orçamento, do que atuando numa secretaria, por mais influente que seja.

Venceu a parada

O deputado Eudo Magalhães (PFL) ganhou a parada. Ele chegou a declarar que "pagava para ver" a cúpula peemedebista deslocar-se a Palmares, um de seus redutos eleitorais, para prestigiar a filiação do prefeito Francisco de Assis Rodrigues e do deputado Garibaldi Gurgel (ex-PSB). Para evitar um tiroteio interno no seio da aliança, a festa das filiações foi realizada no Recife.

Ameaça besta

A ANJ saiu em defesa do "Correio Braziliense" e do seu editor-geral, o pernambucano Ricardo Noblat, alvos da ira do governador Roriz (DF). "A tentativa de intimidar um órgão de comunicação, além de inócua numa democracia, fere a liberdade de imprensa garantida pela Constituição. A imprensa cumpre o seu dever de informar, analisar e opinar livremente em tema de interesse público", diz a nota da ANJ.

Substituto de Sotero passa por FHC

O ministro Fernando Bezerra (integração nacional) disse a Boris Casoy, domingo, no programa "Passando a limpo" da TV Record, que o substituto de Aloísio Sotero na superintendênca da Sudene será indicado por FHC.

A quem a prefeita se vincularia?

Perguntinha que se ouviu em Arcoverde: agora, que a prefeita Rosa Barros (ex-PDT) filiou-se ao PFL, a quem apoiará para a Câmara Federal: Inocêncio Oliveira ou Joel de Holanda? É caso para Marco Maciel decidir.

Maciel 1

Em entrevista ao "Globo" (19/09), Marco Maciel propôs o "fatiamento" das reformas que estão tramitando no Congresso para facilitar a sua aprovação. Para isto, diz ele, se colocaria em votação as propostas consensuais, deixando-se as polêmicas para depois. "Projeto bom é o que passa. Não adianta uma ótima idéia se ela não consegue ser aprovada", afirma o" vice-presidente.

Maciel 2

Maciel deu alguns exemplos do que é consensual entre nos congressistas: medidas que desonerem a produção e as exportações (reforma tributária) e fim dos juízes classistas e aprovação da súmula vinculante (reforma do Judiciário). Então, pergunta ele, por que não se vota logo o que é consensual já que, no mundo todo, "quem define a pauta do Legislativo é o Executivo?".

Embora não tenha se desligado ainda do PSB, o prefeito de Surubim, José Arruda, não compareceu domingo ao congresso do partido que se realizou em sua cidade. Ele está a caminho do PSDB.

Pedro Simon (PMDB-RS) propôs à mesa do Senado que o próximo volume de suas publicações sobre personalidades brasileiras seja dedicado a D. Hélder Câmara.

Do deputado Mussa Demes (PFL-PI), relator da reforma tributária: "A transformação da CPMF em imposto permanente é inegociável. Não há força humana que me faça incluir isto no meu relatório".

O deputado Luciano Bivar e o vereador Homero Lacerda reunirão na próxima 5ª feira, na Câmara Municipal, todos os candidatos a vereadores pelo PSL.

Do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) sobre o protesto dos prefeitos contra o governo de FHC: "Muitos deles, com o dinheiro de suas próprias prefeituras, cabalaram votos para reeleger Fernando Henrique. Logo, não têm autoridade para reclamar".

Olho D'água, pequeno município do sertão da Paraíba, tem 7.748 habitantes, dos quais 90,84% são eleitores, segundo dados do TRE-PB. É recorde nacional.

inaldo@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 21.09.99
Terça-feira