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ILHA GRANDE Um dos mais ricos santuários ecológicos do país por ANDRÉ GALVÃO Imagine uma ilha pontilhada por 106 praias distribuídas em 155 quilômetros de um dos mais belos e acidentados trechos do litoral brasileiro. Um lugar pouco menor que o Recife, entrecortado por montanhas, matas, rios, cachoeiras, lagos e manguezais que formam um dos mais ricos santuários ecológicos do país e do mundo. Essa descrição - única, por sinal - resume a encantadora Ilha Grande, no município de Angra dos Reis, a apenas 150 quilômetros da segunda maior metrópole brasileira, Rio de Janeiro. Com todos esses atributos, é de se esperar que a reserva ecológica ofereça um vasto leque de atrações naturais. E dispõe mesmo, desde caminhadas por trilhas selvagens a mergulho, de montanhismo a surfe e caça submarina, entre outros esportes moderados e radicais que enchem a vista de dez em dez amantes da natureza. Sim, é preciso estar em sintonia com o ecoturismo para usufruir da rica fauna e flora local. O barco, por exemplo, é o único meio de transporte disponível para se chegar ao paraíso fluminense. Balsas, catamarãs e lanchas particulares partem diariamente de Angra e de Mangaratiba, no continente, em direção à Vila de Abraão, principal concentração urbana do lugar. Uma vez na ilha, o forasteiro só conta com duas alternativas para percorrer os incontáveis recantos espalhados nos 187 quilômetros quadrados do arquipélago: enfrentar as longas distâncias a pé ou recorrer aos cruzeiros marítimos que partem diariamente do ancoradouro de Abrão em direção a praias de rara beleza. A paisagem e localização estratégica do lugar transformaram a ilha, no passado, num dos mais disputados pontos da costa brasileira. Além dos portugueses, ali aportaram corsários ingleses, holandeses e franceses, ora traficando escravos e contrabandeando pau-brasil, ora abordando navios e saqueando cidades. Os primeiros registros oficiais de Ilha Grande, ou Ipaum Guaçu, como os índios a chamavam na língua tupi, datam de 1502, ou seja, dois anos após o descobrimento do Brasil. Com todas essas peculiaridades, é impossível não se render aos encantos da majestosa ilha e o visitante, além de usufruir de uma paisagem ímpar, retorna ao continente com a sensação de que voltou no tempo, afinal de contas, são muitos os episódios escondidos entre uma copa e outra de árvore nativa da Mata Atlântica, nos naufrágios que enriqueceram aquele trecho do litoral fluminense de lendas e fatos pitorescos e nas ruínas que teimam em desafiar o tempo. Que o diga o escritor alagoano Graciliano Ramos, que imortalizou sua passagem por um das penitenciárias da ilha na premiada obra Memórias do Cárcere. |
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