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Joaquim Nabuco por MANUEL CORREIA DE ANDRADE Tivemos, por determinação do Governo Federal, o ano de homenagens ao sesquicentenário de dois grandes brasileiros, nascidos em 1849: Joaquim Nabuco e Rui Barbosa. O primeiro foi a grande figura de pernambucano nos fins do século XIX e início do século XX, quando colocou sua inteligência, seu prestígio e seu nome a serviço de causas difíceis, mas almejadas pela maioria da população: a libertação dos escravos, a federalização das províncias e o panamericanismo. Apesar de monarquista, ele escreveu trabalhos de peso contra os excessos do "imperialismo", do abuso do poder político do imperador, e concluiu seus dias com a adesão à República. Nabuco foi, a um só tempo, tribuno, diplomata, político militante e escritor, destacando-se neste setor como jornalista, historiador, poeta, crítico literário e teatrólogo. No teatro, destacou-se como autor e como ator. A Fundação Joaquim Nabuco vem promovendo uma série de eventos sobre o seu patrono, com a publicação de textos seus e de trabalhos sobre a sua figura, e com reuniões no Engenho Massangana, onde ele viveu a sua infância. Com o apoio da Fundação Alexandre de Gusmão, realizou-se um seminário sobre a visão global da sua obra e da sua atuação política; este seminário versou sobre três aspectos da sua personalidade: Joaquim Nabuco o parlamentar, o diplomata e o escritor, e foi aberto pelo presidente da Fundação, dr. Fernando de Melo Freyre, iniciando-se com uma conferência do diplomata Tarcísio de Lima Ferreira Fernandes Costa, sobre o diplomata Joaquim Nabuco. Houve uma mesa-redonda em que foi debatida a ação de Nabuco desde o início da carreira diplomática, nos Estados Unidos, até os grandes momentos em que ele defendeu os direitos do Brasil a territórios limítrofes com a então Guiana Inglesa, atual República Cooperativista da Guiana, em que o rei da Itália, Victor Emanuel II, deu uma solução salomônica, dividindo o território entre os dois querelantes. Nabuco, que apresentou um rico documentário, esperava ser vitorioso, o que não aconteceu; pelo laudo arbitral a Inglaterra passou a ter acesso à pequena porção drenada para o Rio Amazonas. Nabuco exerceu também a direção dos negócios do Brasil em Londres, sendo, em 1905, transferido para Washington como nosso primeiro embaixador. Em Washington, ele aproximou-se do Governo de Teodoro Roosevelt e conseguiu fazer com que a 3ª Conferência Panamericana se realizasse no Rio de Janeiro, com a presença do Secretário de Estado. Havia, então, entre os diplomatas e políticos a idéia de que o Brasil, com a República, deveria ter uma aproximação maior com os países da América Latina; mas, enquanto Nabuco defendia o monroísmo e a liderança dos Estados Unidos, outros diplomatas como Oliveira Lima, defendiam os interesses das repúblicas hispano-americanas e temiam a ação dos Estados Unidos, com tendências a posições hegemônicas. Duas mesas-redondas discutiram tanto a ação de Nabuco como abolicionista, ação exercida com destemor na imprensa e no parlamento, como deputado por Pernambuco, como as suas idéias sobre a contribuição negra à civilização brasileira e a necessidade de que se fizesse uma abolição real, onde a liberdade dos escravos devesse ser complementada com o acesso à propriedade da terra, com a reforma agrária, expressão que ele usou, a partir de 1884, no Parlamento. Achava ele que sem direito à terra o liberto não teria acesso à cidadania, ficaria sempre na dependência dos proprietários, seus ex-senhores. E a questão da reforma agrária ainda se encontra, hoje, em aberto, à espera de que um Governo mais sensível aos problemas nacionais a realize. Assim, as idéias de Nabuco estão ainda por se completar. Outra mesa-redonda teve por tema o problema da federação e da estruturação do Estado brasileiro que, em sua história, oscilou entre a centralização e a descentralização. Nabuco, no fim do período imperial, chamava a atenção para a necessidade de que as províncias tivessem autonomia e que o Império se tornasse uma federação. Proclamada a República, Nabuco retirou-se para a vida privada passando a dedicar seu tempo a escrever, produzindo dois grandes livros - Minha Formação e Um Estadista do Império. Como escritor ele já havia publicado O Abolicionismo, estudos sobre Camões e os Lusíadas e artigos sobre temas diversos, versos e peças de teatro. O seminário foi encerrado com palestra de José Mário Pereira, da editora Topbooks, e editor dos livros de Nabuco e de Gilberto Freyre. *Manuel Correia de Andrade é historiador e geógrafo |
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