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TEORIA Luta para controlar lixo é dura por
EDSON HIGO DO PRADO Ou acabamos com o lixo, ou o lixo acaba com o planeta. Este é o dilema que a humanidade poderá enfrentar ainda neste século se não forem tomadas providências, não só a nível governamental, mas sobretudo no comportamento pessoal. Há 50 anos, as mamães usavam fraldas de pano nos seus bebês, o leite era entregue em litros de vidro reutilizáveis e nem se sonhava com o telefone celular. Na próxima década, deverão ser produzidos quase 1 bilhão de celulares no planeta. E o pior: a bateria, altamente tóxica, é um veneno latente para o meio ambiente depois de descartada. Reutilizar, Reduzir, Reciclar. Esses são os três erres que fazem parte da tônica ambientalista urbana e que deverão fazer parte da cartilha de todo cidadão que pense num futuro para seus descendentes. É o que especialistas em meio ambiente vêm dizendo desde a década passada, mas insistindo agora com vigor. A questão do lixo é cada dia mais crucial não só no Brasil. Calcula-se que cada habitante dos Estados Unidos gera durante a sua vida 80 toneladas de lixo, enquanto esse número no Brasil cai para um terço. No total, o país produz mais de 200 mil toneladas de lixo por dia, sendo 37% de lixo doméstico. A diferença existe também na maneira como cada país cuida dos resíduos. O Japão, que não tem lixões, queima parte do lixo, aproveita os recicláveis e chega a exportar outro tanto para países que recebem por isso. Os japoneses tiveram de aprender a dispor do lixo, décadas atrás, sob risco de estar hoje soterrados por ele. Nos EUA, há multas pesadas para o cidadão que não separa os recicláveis do restante. De todo o lixo, cerca de 65% é constituído de material orgânico; 15% de papel e papelão; 8% de plástico; 5% de metais; 2% de vidro; e os 5% restantes de outros componentes. Por tal quadro, verifica-se que os recicláveis constituem cerca de 30% do lixo de uma cidade. ATRASO - No Brasil ainda estamos engatinhando. Até este ano, entre o total de 5.507 municípios só 135 criaram e continuam a manter o sistema de coleta seletiva. Mas a forma de recolher o lixo reciclável, a abrangência do serviço em relação à totalidade da população e a eficiência na proporção quantidade/habitantes costuma variar bastante. Há casos de municípios que dão marcha à ré. São Paulo, por exemplo, está em plena desativação da coleta seletiva criada no final da década de 80. Há cinco anos recolhiam-se 250 toneladas de lixo reciclável e hoje, 100 toneladas. É pouco se for considerado que municípios 30 vezes menores como Jundiaí e São José dos Campos coletam mais de 300 toneladas por mês. O caso de São Paulo é bem grave: os dois aterros sanitários em funcionamento agüentam somente até meados da próxima década; outros cinco já foram devidamente lotados. A reciclagem é uma solução não só por aumentar a vida útil dos aterros, já que teoricamente aproveita 30% do lixo produzido. Mais do que isso, permite que os próprios aterros sejam reutilizados dezenas de anos depois. No estado atual, qualquer garimpagem no futuro iria encontrar restos de plástico (300 anos para se decompor), alumínio (100 anos) e vidro (4 mil anos). Embora a reciclagem seja parte da solução, ela é importante porque estimula o envolvimento dos participantes de uma comunidade (escola, empresa, igreja, bairro, cidade) numa ação benéfica ao meio ambiente. Um bom sinal é que a indústria da reciclagem está crescendo de forma acelerada, motivada pela demanda cada vez maior de alumínio e plástico, principalmente, reciclados. Os números do alumínio chegam a surpreender: o Brasil é o país que mais recicla em relação à quantidade produzida (65%) e, além de tudo, economiza energia elétrica que seria gasta na fabricação a partir da bauxita. No entanto, a reciclagem de plástico ainda é baixa: menos de 30%. SERVIÇO - Para maiores informações: Compromisso Empresarial para Reciclagem - www.cempre.org.br ou 0xx11852-5264 e Projeto Jogo Limpo/Cetesb - (0xx11) 3030-7031/320 |
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