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AÇÃO MST vai intensificar invasões no país SÃO PAULO - Depois da ousadia de acampar em frente à fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis, Minas Gerais, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende intensificar as ações em todos os Estados até o fim do ano em protesto contra a falta de empenho do Governo em cumprir as promessas feitas para 99. Os sem-terra acamparam em Buritis na última terça-feira. Segundo um dos líderes nacionais do MST, Roberto Baggio, os sem-terra serão orientadas pelos coordenadores estaduais em mobilizações como novas ocupações, interrupção de estradas, invasão de prédios públicos e outras formas de manifestação. Ele afirmou que a intenção do MST é protestar sem violência, mas de maneira enérgica para demonstrar a insatisfação com o descaso do Governo. SEM PRESSA - "A reforma agrária anda a um passo muito lento. As promessas para 99 não foram cumpridas, o ano que vem deve continuar assim. O Governo está desmoralizado e desacreditado. A tendência natural é que o MST aumente a pressão sobre o Governo, para que pelo menos se faça o mínimo. Para os acampados não há feriado, festa, nada" disse Baggio. O coordenador do MST ressaltou que cada uma das lideranças estaduais estão traçando as estratégias para intensificar as ações, mas disse que não acredita em uma mobilização nacional antes do fim do ano, que permitisse protestos simultâneos nos estados. ACAMPAMENTOS - Segundo ele, existem hoje mais de 102 mil famílias vivendo em 530 acampamentos em todo o país. "Todas essas pessoas querem terra. Há uma crise social, o Incra tem demonstrado sua ineficiência, o Governo parece que renunciou à disposição política em avançar na reforma agrária". Na avaliação de Baggio, a conseqüência disso é uma luta radical, ousada, determinada, mas sem violência. "Nossa luta não é violenta, mas não aceitaremos passar fome", destacou. Outro líder nacional do MST, Jaime Amorim, afirmou que o cerco à fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Minas Gerais, não foi um ato de radicalismo. RADICALISMO - "Não há radicalismo do MST, já que acampar em propriedades rurais é uma forma tradicional de protesto do movimento. Nem mesmo houve invasão. O radicalismo veio do Governo, que cortou verbas da reforma agrária e não liberou créditos. É óbvio que isso gera ações reivindicatórias", assinalou. Amorim confirmou que a intenção do MST é aumentar a pressão nesse fim de ano. "Estamos muito insatisfeitos com a forma como vem sendo conduzida a reforma agrária e a política econômica. O Malan é um cordeirinho do FMI e não adianta os esforços do Incra porque eles esbarram nos interesses econômicos". Para Jaime Amorim, o Governo não cumpriu metas e acabou criando uma expectativa frustrada entre os mais necessitados. "Daqui ao final do ano vamos mostrar nosso descontentamento. Tudo pode acontecer",, declarou |
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