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NOBRES
Gases nobres podem mudar nossas origens

por EDUARDO CASTOR BORGONOVI
AE

Argônio, criptônio e xenônio: a presença em Júpiter desses três gases de nomes estranhos pode mudar quase tudo o que se sabe sobre as origens do nosso sistema solar. Os três gases, chamados "gases nobres" foram detectados no grande planeta gasoso pela sonda que pousou em sua superfície, a partir da nave Galileo.

Os instrumentos da sonda detectaram concentrações desses três gases em níveis muito mais altos do que os esperados. Eles existem também na atmosfera terrestre, em concentrações bem menores. O argônio, por exemplo, às vezes é usado como o néon, em letreiros luminosos.

A descoberta de grandes concentrações desses gases em Júpiter levanta a questão de como eles chegaram até lá. Segundo os cientistas da Nasa, que estão realizando esses estudos, eles não são originários de Júpiter. Teriam sido capturados pelo planeta. Porém, só poderiam ser capturados por dois processos: condensação ou congelamento.

Para isso, seriam necessárias temperaturas muito baixas, cerca de 240 graus centígrados negativos, temperatura mais baixa que a da superfície de Plutão, planeta seis vezes mais distante do Sol que Júpiter. A conclusão dos cientistas é que esses gases não podem ter sido capturados originariamente por Júpiter.

HIPÓTESES - Essa conclusão levanta possibilidades intrigantes. Uma das possibilidades é que Júpiter tenha-se formado em algum ponto além de Plutão e, depois, puxado para sua atual posição. Outra é que a nebula solar, uma imensa nuvem de gás e poeira de onde se acredita que nosso sistema solar tenha-se formado, fosse muito mais fria do que se acreditava até hoje.

Uma terceira hipótese propõe que os materiais sólidos que teriam trazido os gases nobres a Júpiter começaram a se formar na imensa nuvem interestelar original de gás e poeira muito antes de ela ter-se transformado para formar a nebula solar. Se isso for verdade, esses materiais gelados seriam muito mais antigos e primitivos do que se pensa.

Se qualquer uma das duas últimas hipóteses for verdadeira, estaremos diante da possibilidade de que planetas gigantes podem formar-se mais perto de seus sóis do que era admitido até hoje por todas as teorias. Isso poderia explicar os sistemas planetários descobertos nos últimos dois anos e que contêm planetas gigantes girando bem próximo de seus sóis.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo

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