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DE VOLTA
Do Solar da Fossa à praia do rock

por JOSÉ TELES

Em meio a este surto de pernambucanidade que contaminou o Estado, a partir da eclosão do movimento manguebeat, poucos têm lembrado de Paulo Diniz, um pernambucano, que, até meados dos anos 70, foi um dos mais bem sucedidos cantores do país. Suas músicas aliás nunca deixaram de tocar no rádio, nem seus discos de vender. Entre elas estão Um chope pra distrair, Pingos de amor, Quero voltar pra Bahia, E agora José? Piripiri, e mais uma pá de hits, que até hoje, mesmo fora da mídia, levam Paulo Diniz a fazer show do Oiapoque ao Chuí.

Em 1970, Paulo Diniz, então vivendo no Rio num lugar conhecido como Solar da Fossa, emplacou sucesso atrás de sucesso. Seu único rival na época era Jorge Ben, então numa fase igualmente prolífica e feliz. Paulo André Pires, produtor do Abril pro Rock, era um destes que conheciam pouco a importância de Paulo Diniz: "Eu estava na casa de uma amiga, e ela colocou um disco dele. Foi aí que me toquei. A música era muito boa, eu fui procurar saber onde poderia encontrar Paulo, queria convidá-lo para participar do Abril Pro Rock."

Foi fácil encontrá-lo. Paulo Diniz, vive há dez anos no Recife. Mora com a esposa, num apartamento, próximo à Praça de Boa Viagem. Vítima de uma doença, cujo diagnóstico nunca foi muito bem precisado, que lhe tolheu o movimento da perna direita e o obriga a andar amparado por muletas, Paulo Diniz continua a compor, a fazer shows, e procura gravadora para lançar seu primeiro disco de inéditas em mais de 20 anos ("Não me interessa gravar independente e ficar com o CD debaixo do braço" descarta).

Para refrescar a memória dos que podem classificá-lo como datado e situá-lo para os que desconhecem a biografia deste pesqueirense, nascido numa família humilde ("Minha mãe assinava com o dedo", conta ele), no ano de 1940, Paulo Diniz concedeu esta entrevista ao Jornal do Commercio.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo