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BIBLIOGRAFIA
Livro destaca a arte internacional brasileira

por DIANA MOURA BARBOSA

Curador-chefe do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo e professor da Escola de Comunicação de Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Tadeu Chiarelli publicou pela editora Lemos o livro Arte Internacional Brasileira. A obra é um catálogo com mais 300 páginas, impresso em papel couché fosco, com várias reproduções e projeto gráfico bem cuidado. Apesar do requinte editorial, nem sempre presente nas edições nacionais, o maior mérito do trabalho não é seu acabamento, mas o conteúdo. Ao contrário da visão eurocêntrica (ou `norte-americanocêntrica') com a qual se costuma analisar a arte realizada no Brasil, o professor preferiu dar ao trabalho uma outra abordagem. Ele observou a produção nacional a partir de suas próprias propostas, sem negar os preceitos internacionais inerentes a ela.

Arte Internacional Brasileira surgiu quando Chiarelli se deu conta de que seus primeiros textos sobre artes plásticas estavam completando 20 anos. "Muitas pessoas me procuravam para pedir textos antigos, que estavam publicados em catálogos ou revistas pouco acessíveis. Por isso, decidi reunir todos os trabalhos numa coletânea. Além disso, a bibliografia brasileira sobre arte é muito reduzida. Essa publicação é uma maneira de suprir algumas lacunas", explica Chiarelli.

Apesar do nome, o objetivo do livro não é mapear a arte brasileira de projeção internacional, mas fazer um levantamento da arte nacional sem perder de vista sua inserção no contexto de mundial. Assim, o professor traça uma espécie de panorama dos artistas brasileiros que se alinham a tendências internacionais, mas evita julgá-los de acordo com os parâmetros de outros países. "No Brasil, os artistas trabalhavam num outro contexto e conduzidos por outros objetivos. Não podemos comparar Portinari o que se fazia na Europa no mesmo período. Dessa forma, a arte brasileira seria sempre considerada inferior", avalia o autor.

Uma das vantagens de Arte Internacional Brasileira é exatamente o ponto de vista adotado por Chiarelli. Sem resvalar pelo caminho fácil de qualificar a produção plástica do país com base na história da arte universal, ele consegue destacar muito do que foi produzido de melhor no país e ainda imprimir um pensamento próprio às análises.

O melhor, é que Chiarelli consegue colocar suas opiniões, descrever obras de arte e contextualizar a obra dos artistas sem incorrer no `artesplastiquês'. O autor evita frases de efeito pouco compreensíveis e recursos retóricos que dificultem o entendimento do texto. Todos os artigos apresentados no livro têm uma linguagem clara e objetiva. Algumas críticas inclusive são bastante curtas. "Acho que esse estilo direto é um resultado do trabalho com o alunado. Sou professor dos alunos do primeiro período do curso de Artes Plásticas da USP, por isso, tento fazer para eles uma introdução ao tema do modo mais claro possível", comenta.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo