ABORDAGEM
Artistas
pernambucanos ficam de fora do livro de ChiarelliO livro Arte Internacional Brasileira, escrito
por Tadeu Chiarelli, faz uma apanhado da produção
plástica nacional desde os pré-modernistas até os
artistas contemporâneos. Não precisa dizer que essa é
uma tarefa difícil. Pela longa extensão do período
analisado e a limitada quantidade de páginas, muita
coisa foi deixada de lado no processo de edição. Além
disso, os textos são uma coletânea dos vários artigos
que Chiarelli escreveu nos últimos 20 anos, e claro que
não abrange toda a arte nacional.
Por isso, o público pernambucano
talvez se decepcione ao buscar referências sobre os
artista locais no livro de Chiarelli. Na verdade, apesar
de contar com nomes relevantes para a criação de uma
linguagem plástica nacional, o estado é citado
pouquíssimas vezes. Pintores como Cícero Dias e Vicente
do Rego Monteiro não receberam mais que um parágrafo de
`avaliação'. Outros, como Lula Cardoso Ayres e
Francisco Brennand, sequer foram comentados. Nomes mais
contemporâneos, como o de Eudes Mota, Paulo Brusky ou
Frederico Fonseca, também foram esquecidos.
"Na verdade, eu nunca tive
oportunidade de escrever sobre os artistas pernambucanos.
Os textos que fazem parte do livro foram originalmente
publicados em catálogos, apresentações de artistas ou
revistas especializadas. Como transito mais por São
Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul,
realmente não me detive na produção de outros
estados", explica Chiarelli. É uma pena, uma lacuna
numa publicação que se chama Arte Internacional
`Brasileira'. É impossível não refletir sobre a
definição do autor para a palavra `brasileira'. Mesmo
assim, a questão geográfica não tira o mérito da
obra.
O livro se divide em três capítulos.
O primeiro faz uma retrospectiva histórica e passeia por
algumas questões genéricas da arte modernista e
contemporânea. O segundo traz um apanhado sobre os
artistas da primeira metade do século XX. No terceiro, o
autor reflete sobre as obras de alguns nomes da
produção atual. É justamente nos artigos que suscitam
questionamentos sobre a visualidade contemporânea que
Artistas Internacionais Brasileiros se torna mais
interessante. Um dos seus trunfos é falar de um tema
cuja bibliografia é muito escassa. Esses textos se
tornam mais atrativos porque a opinião do autor ainda
não foi contaminada polo viés histórico. Os pontos de
reflexão que ele levanta podem trazer as mesmas dúvidas
e descobertas do público. Sem dúvida, é uma boa chave
de compreensão para uma arte que ainda não foi
totalmente assimilada e digerida pela sociedade.
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