![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
CONFERÊNCIA II Guerra agrava migração na área seca de Angola Angola, no sul da África, ocupa no mapa-múndi a mesma latitude do Semi-Árido brasileiro. Ex-colônia portuguesa, tem laços culturais e históricos com o Brasil. Era de lá que vinha grande parte da mão-de-obra escrava que fez funcionar os engenhos de cana-de-açúcar do Nordeste. As semelhanças não param por aí. A paisagem do país se alterna entre florestas tropicais e as savanas, uma vegetação seca semelhante ao mesmo tempo ao Cerrado e à Caatinga. E, como se não bastasse, Angola também sofre com a desertificação, processo de degradação do solo que leva à infertilidade. De acordo com o embaixador de Angola no Brasil, Osvaldo Van-Dúnem, cerca de 10% do território do país está inserido no Deserto de Kalahara, na fronteira com a Namíbia. "Nas proximidades desta área, a seca é um problema grave", informa o diplomata, único representante do país durante a primeira semana da COP-3. Mais dois delegados estavam sendo esperados pelo embaixador, mas por motivos que ele desconhecia, não haviam chegado. "Acredito que a guerra existente em Angola tenha atrapalhado os nossos planos", disse. A guerra civil que se abate sobre Angola há 24 anos, desde que ficou independente de Portugal, tem impactos não apenas nas viagens dos diplomatas. Ela determina migrações internas que interferem, indiretamente, na desertificação. Segundo Osvaldo Van-Dúnem, nas áreas ocupadas pelos exército paramilitar terrorista o governo não pode atuar. "Existe um plano nacional na área ambiental, que prevê ações de combate à desertificação, mas nessas zonas o governo não tem exercido ações político-administrativas". De acordo com o embaixador, cerca de 2 milhões de pessoas realizam migrações em decorrência da guerra. Van-Dúnem não sabe dizer o valor que é empregado em seu país - de 1,7 milhão de hectares e 11 milhões de habitantes - para o combate à desertificação. O período de chuvas em Angola se concentra entre abril e setembro, com um índice pluviométrico de aproximadamente 150 milímetros por ano. Cerca de um milhão de pessoas vivem nas regiões mais secas. |
|