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DE OLHO NA CIÊNCIA

Poços

Júlio Moreira, 60 anos, funcionário público, residente no Torreão, Recife, pergunta:

Como se processa a retroalimentação dos poços que possuem profundidades superiores a 100 metros no Recife?

O professor Waldir Duarte Costa, da UFPE, responde:

A retroalimentação ou recarga dos aqüíferos profundos (camadas do subsolo que armazenam e liberam a água) se processa de várias maneiras: em primeiro lugar, embora a superfície do Recife esteja intensamente impermeabilizada, existem ainda várias áreas onde a água se infiltra, como nas ruas sem calçamento na periferia da cidade, nos quintais e nos jardins das casas, e ainda nas calhas dos rios e riachos que escoam na planície.

Além da infiltração direta na superfície da planície do Recife, tem-se que considerar que essa formação geológica que ocorre aqui se estende para o norte, ultrapassando as fronteiras do estado de Pernambuco e, nessa área com reduzida impermeabilização, a água se infiltra e lentamente escoa lateralmente, podendo chegar até o Recife, em virtude da intensa exploração que aqui ocorre.

Por último, deve ser levada em conta a considerável parcela de vazamento da rede de distribuição de água superficial, que não é detectada na superfície e que contribui para a recarga dos aqüíferos rasos e profundos. Em recentes estudos que efetuamos, avaliamos, com base em informações da Compesa, que essa "contribuição" da rede representa um percentual de 20% de toda a água da recarga dos aqüíferos da Região Metropolitana do Recife.

Apesar de tudo, a retirada de água subterrânea no Recife é atualmente bem maior do que a recarga, resultando, desse desequilíbrio, um rebaixamento acentuado dos níveis de água que já atinge mais de 100 metros e ainda a salinização da água em grande parte da cidade, sobretudo em Boa Viagem e bairros centrais do Recife como São José, Santo Antonio, Coelhos etc.


Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo