SÉRIE B II
Vinte e nove anos
de carreira e muitos `causos'Vinte e nove anos de carreira nas costas. Esse
é o tempo de Nereu Pinheiro no futebol. Fatos curiosos
é o que não faltaram nesse período a começar pelo
primeiro time em que trabalhou, o Condor, agremiação
amadora da Liga Olindense. "O presidente Nequinho me
pagava um salário, mesmo o time sendo amador",
lembra. E logo no ano em que debutava na nova carreira,
colhia o primeiro título. Feito que se repetiria nos
dois anos seguintes.
Nos times da capital, a primeira
`vítima' de Nereu foi o juvenil do Íbis, em 74.
Convidado para treinar os profissionais, o técnicou
recusou. "Achei que estava muito novo. Tinham
jogadores mais velhos do que eu", lembra. O primeiro
título como profissional veio no ano seguinte, já no
América, para onde foi levado pelo jornalista Amaury
Veloso. "Em 76 ganhamos o Torneio Incentivo
invictos", relata. Tal competição era disputada na
mesma época do Campeonato Brasileiro para os times
pequenos não pararem tão cedo.
Depois veio o Central, em 78, e o
terceiro lugar no Campeonato Pernambucano. No
Brasileirão de 79, a primeira `ressureição'. O
abençoado foi o modesto Campinense/PB, que chegou entre
os oito melhores daquele ano. "Aquela foi a primeira
vez em que fui carregado", rememora. Os ventos da
mudança trouxeram-no de volta a Pernambuco, em 1980,
dessa vez para o esquecido Ferroviário. E mais
histórias engraçadas.
Na final do Torneio incentivo, Ferrim e
Santo Amaro, com este último jogando pelo empate. Aos 43
da etapa final, com o placar de 1x1, pênalti para o time
da Rede Ferroviária. Inconformados, os adversários
partiram para a briga. Quando os ânimos arrefeceram, o
árbitro Aquiles Sales voltou atrás da decisão, o
Ferroviário deixou o campo e ambas equipes declararam-se
campeãs. "Até hoje ninguém sabe quem
ganhou", conta, entre risos.
Em 81 veio a primeira das quatro
passagens pelo Sport - as outras foram em 85, 89 e 93.
Outro vôo pelo Nordeste foi em 83, dessa vez para
Sergipe, no Confiança, e na temporada seguinte, pelo
Sergipe. Aí veio a crise. Abusado com o futebol, abriu o
Restaurante dos Desportistas, em Olinda. Após o
Rubro-Negro, virou técnico da Seleção Pernambucana de
Juniores, onde ficou em terceiro no Brasileirão.
Agora, no Santa, ele espera recuperar o
título que lhe surrupiaram em 89, com o Sport, a Copa do
Brasil. "Tivemos um pênalti claro que José de
Assis Aragão não marcou. Gostaria muito de um título
em nível nacional". Dez anos depois, vislumbra-se
uma nova chance.
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