![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
COMPORTAMENTO II A polêmica sobre a virgindade de Maria Um dos grandes dogmas cristãos é aquele que versa sobre a virgindade de Maria, mãe de Jesus. O simples questionamento de sua castidade é motivo para verdadeiros embates entre as religiões, que, não raro, voltam à tona com teorias que comprovem sua existência ou derrubem o eterno mito. Segundo o catolicismo, a castidade de Nossa Senhora foi um dos principais fatores para que ela fosse a escolhida para gerar o Cristo. "Uma Virgem conceberá e dará a luz um filho, e seu nome será Emanuel, nome que significa Deus está conosco" (Isaías 7:14). Para o teólogo Inácio Strieder, diretor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Penambuco (UFPE), Maria foi, de fato, virgem durante toda a sua vida. "É necessário que se acabe com a idéia de uma virgindade meramente fisiológica, centrada apenas no hímen. Maria foi casta até conceber o Cristo, mas, depois disso, teve uma vida comum com José. Isso não a tornou menos pura, já que sua virgindade era antes de tudo espiritual", diz o teólogo. Ao defender com unhas e dentes a castidade de Nossa Senhora, os cristãos estariam, na visão de Strieder, projetando na mãe de Jesus seus próprios modelos de vida, onde existiriam principalmente a dignidade e a integridade da vida. "Costuma-se dizer que Maria foi virgem antes, durante e depois do parto. A afirmativa é correta, se levarmos em consideração que ela dedicou toda sua vida ao seu Deus", continua. Muçulmano, o diretor do Centro de Estudos Religiosos, Murilo Alves, lembra que o livro sagrado do seu povo, o Alcorão, é a publicação religiosa que mais cita o nome de Maria. "Acredito inclusive que exista um paralelo entre ela e o próprio Maomé. Deus escolheu os dois para serem veículos do seu verbo, e através deles sua palavra foi difundida pelo mundo", explica. Entre os muçulmanos mais ortodoxos (na Arábia Saudita, por exemplo), a perda da virgindade antes do casamento é vista como uma falta gravíssima, enquanto outras sociedades (também muçulmanas porém menos rígidas) já lidam com a questão de forma menos dramática. "É preciso lembrar que é um povo que valoriza principalmente a família e as tradições", diz Murilo Alves. No Alcorão, Nossa Senhora é chamada de Mariam e é notável que a ela foi dado um tratamento mais próximo ao vivido pelos mortais comuns. No trecho de número 23 da 19ª Surata (como se chamam os capítulos do documento religioso), está escrito: "As dores do parto a constrageram a refugiar-se junto a uma tamareira. Disse `Oxalá eu tivesse morrido antes disto, ficando completamente esquecida'". Segundo está explicado no livro sagrado, Maria era tão somente humana, e sofria as dores de uma mãe que está esperando um filho, sem ninguém para olhar por ela. Durante o parto, Nossa Senhora estaria só, por conta de sua situação incomum (conceber um filho mesmo virgem). Seu povo simplesmente não acreditava em uma gravidez gerada por Deus. Apontada por todos, preferiu ir dar à luz longe de Jerusalém, precisamente em Belém (a cerca de dez quilômetros da primeira cidade). As escrituras mostram claramente as inúmeras desconfianças da qual a Virgem foi alvo. Ainda na 19ª Surata, trecho 28, pode-se ler: "Ó irmã de Aarão, teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma mulher sem castidade!" O pastor da Assembléia de Deus Isaac Silva acredita na virgindade eterna de Maria e na sua gravidez provocada pelo sopro divino. "Durante toda sua vida, ela foi uma mulher boa, pura, uma piedosa dona de casa. Só não podemos acreditar que ela possua autoridade sobre a humanidade. Ela foi apenas um instrumento divino, por isso nossa igreja não lhe presta adoração, que reservamos apenas para Deus". PARTENOGÊNESE? - Obviamente, a Ciência tem sua explicação para o fenômeno ocorrido com a mãe de Jesus. É a partenogênese, onde um óvulo se desenvolve em um novo indivíduo, sem ter ocorrido fecundação. Segundo o professor de biologia e médico pediatra Fernando Beltrão, é impossível que os seres humanos desenvolvam atualmente esse fenômeno. Assim como o teólogo Inácio Strieder, o professor acredita que a virgindade de Maria não se reservava ao hímen, tendo um aspecto puramente simbólico. "Acho que ela pode ter tido ato sexual normal, mas como era uma mulher muito especial, pura, conservou-se o conceito de virgem", acredita. A outra teoria de Beltrão também é inovadora. Segundo ele, durante a mitose (a multiplicação do óvulo) nossas células são permeadas por um princípio divino, que seria a própria energia de Deus. "Como podemos explicar as células que vão se separando para formarem cérebro, coração e outros órgãos? Não pode ser apenas informação genética. Existe uma força espiritual por trás disso". (F.M.) |
|